updating
- tenho um carro só meu e saí da concessionária chorando sozinha no trânsito, de tanta emoção. nunca pensei que uma coisa que não tinha me feito tanta falta assim durante 26 anos, fosse acabar sendo algo tão valioso pra mim num momento em que preciso de independência locomotora como agora. não faz nem duas horas que peguei nele e já me sinto outra mulher. cheia de poderes mágicos. vocês deveriam ter me dito antes que ter um carro era uma espécie de poder mágico.
- o crato foi melhor do que se eu tivesse ido a paris. sem exagero. não sou dada a exageros. :)
- cupcake é o nome do nosso mais novo negócio. aguardem atualizações.
- alecrim tem mais um funcionário. muito feliz com o crescimento.
- sábado é o aniversário da rita.
- lucas está estudando no canarinho e amanhã vai dançar seu primeiro são joão. tão precoce.
- meus queridos paulistas estão chegando. estão chegando meus queridos paulistas.
- that's all.
estou aqui ainda. naquela mesma caverna. naquele mesmo casco de tartaruga. e estou ótima.
26 de Junho de 2008
7 de Junho de 2008
thelastdaylikethis
estava ali deitada na madeira da sala e me lembrando que hoje é meu último dia com 25 anos. a idade que, contando minha história um dia, abre um capítulo dos mais legais da vida. a idade em que descobri que várias coisas existiam, várias pessoas que eu não conhecia ainda e precisava conhecer, muita coisa que eu não sabia e viria a saber. a idade em que eu casei. direi a algum filho, someday, someday?
estiquei o corpo pra pegar o ipod na caixa de som, procurar o que tinha lá de bom, de novo, de velho. achei a palo seco, do belchior. e nada no mundo podia ser um bg mais adequado.
"se você vier me perguntar por onde andei, no tempo em que você sonhava. de olhos abertos lhe direi: amigo, eu me desesperava.
sei que assim falando pensas que esse desespero é moda em 76. mas ando mesmo descontente. desesperadamente eu grito em português: tenho 25 anos de sonho, de sangue, e de américa do sul. [...]"
e amanhã terei um a mais.
aniversário vai tendo um novo sentido a cada ano. já foi tempo de comemorações grandes, significativas. hoje é um tempo de recolhimento ou comemorações pequenas. quem sabe ano que vem faço uma festa enorme, cheia de gente e comida e bebida e música. mas estou ansiosa pelo meu dia calmo de amanhã, com muito mais silêncio e amor que de costume. e muito muito muito feliz. se melhorar, com a fé de deus eu digo isso, estraga.
:)
bom dia.
estava ali deitada na madeira da sala e me lembrando que hoje é meu último dia com 25 anos. a idade que, contando minha história um dia, abre um capítulo dos mais legais da vida. a idade em que descobri que várias coisas existiam, várias pessoas que eu não conhecia ainda e precisava conhecer, muita coisa que eu não sabia e viria a saber. a idade em que eu casei. direi a algum filho, someday, someday?
estiquei o corpo pra pegar o ipod na caixa de som, procurar o que tinha lá de bom, de novo, de velho. achei a palo seco, do belchior. e nada no mundo podia ser um bg mais adequado.
"se você vier me perguntar por onde andei, no tempo em que você sonhava. de olhos abertos lhe direi: amigo, eu me desesperava.
sei que assim falando pensas que esse desespero é moda em 76. mas ando mesmo descontente. desesperadamente eu grito em português: tenho 25 anos de sonho, de sangue, e de américa do sul. [...]"
e amanhã terei um a mais.
aniversário vai tendo um novo sentido a cada ano. já foi tempo de comemorações grandes, significativas. hoje é um tempo de recolhimento ou comemorações pequenas. quem sabe ano que vem faço uma festa enorme, cheia de gente e comida e bebida e música. mas estou ansiosa pelo meu dia calmo de amanhã, com muito mais silêncio e amor que de costume. e muito muito muito feliz. se melhorar, com a fé de deus eu digo isso, estraga.
:)
bom dia.
6 de Junho de 2008
um pedaço de suedehead do morrissey, porque ninguém no mundo é de ferro
Why do you come here
When you know it makes things hard for me?
Why do you come?
You had to sneak into my room 'just' to read my diary.
"It was just to see, just to see"
(All the things you knew I'd written about you...)
Oh, so many illustrations
Oh, but
I'm so very sickened
Oh, I am so sickened now
um a de alívio
jonas disse: ela é assim mesmo. se ela pudesse estava em algum lugar no meio do mundo.
eu estou, na verdade. o meio do meu mundo é bem aqui. hoje vou comemorar até domingo. sem parar sem parar sem parar. achei até uma garrafa de vodca mais ou menos que tinha na cozinha da mamãe. e bebo, meu deus. e danço no meio da casa.
somos todos seguros, estamos todos juntos, até um hospital de tarde é motivo de alegria que quase anula a tensão. não foi a mais fácil das tardes, mas tem sido uma noite bela e tranqüila, depois que passou o aperreio.
nos amamos, somos às vezes um só dentro dos cinco. e estamos vestidos com as armas de jorge.
obrigada a todos os queridos que ligaram, rezaram, torceram. papai está bem, batendo um bolão, e a tendência é sempre melhorar. é a escada. e subimos.
boa noite.
e domingo. domingo. domingo eu faço vinte e seis.
Why do you come here
When you know it makes things hard for me?
Why do you come?
You had to sneak into my room 'just' to read my diary.
"It was just to see, just to see"
(All the things you knew I'd written about you...)
Oh, so many illustrations
Oh, but
I'm so very sickened
Oh, I am so sickened now
um a de alívio
jonas disse: ela é assim mesmo. se ela pudesse estava em algum lugar no meio do mundo.
eu estou, na verdade. o meio do meu mundo é bem aqui. hoje vou comemorar até domingo. sem parar sem parar sem parar. achei até uma garrafa de vodca mais ou menos que tinha na cozinha da mamãe. e bebo, meu deus. e danço no meio da casa.
somos todos seguros, estamos todos juntos, até um hospital de tarde é motivo de alegria que quase anula a tensão. não foi a mais fácil das tardes, mas tem sido uma noite bela e tranqüila, depois que passou o aperreio.
nos amamos, somos às vezes um só dentro dos cinco. e estamos vestidos com as armas de jorge.
obrigada a todos os queridos que ligaram, rezaram, torceram. papai está bem, batendo um bolão, e a tendência é sempre melhorar. é a escada. e subimos.
boa noite.
e domingo. domingo. domingo eu faço vinte e seis.
30 de Maio de 2008
São 4 pras 6 da noite. Tudo bem que é sexta, mas isso é horário comercial. Isso pra publicidade brasileira é horário mais que comercial. Horário valorizadíssimo, quando os jobs começam a chegar pra criação entregar na segunda-feira. Eis que me surge uma urgência e ligo para o veículo X, por quem sinto profundo amargor (eu e meus maravilhosos clientes).
- XXXXXXX, BOA NOITE!
(Não é noite ainda, ok).
- Boa noite, por favor me passe pro comercial de agência.
- Minha senhora, foi todo mundo embora.
- Meu senhor, são 5 e 40 da tarde.
- Pois é, mas o expediente aqui hoje foi até cinco e meia.
- Será que dá pra eu trabalhar aí? Porque eu tou aqui ligada no três e não tenho nem muita hora pra sair.
- Sei não, ó! A senhora liga na segunda. Que eu sou o vigia.
- E vem cá, moço. Como é que eu faço pra falar com a Fulana de Tal, que me atende?
- Minha senhora, dia de sexta aqui a galera vaza é cedo!
(VAZA É CEDO!!!!)
- E que horas então a galera chega aí de novo?
- Só às oito de segunda.
AAAAAAAAAAAAAAAAAL RIGHT.
MEU CLIENTE QUER DEMAIS SABER DISSO. QUER DEMAIS. O SONHO DELE.
um dia eu ainda boto ordem nessa putaria.
boa noite.
e vou já embora que dia de sexta feira eu vazo é cedo.
- XXXXXXX, BOA NOITE!
(Não é noite ainda, ok).
- Boa noite, por favor me passe pro comercial de agência.
- Minha senhora, foi todo mundo embora.
- Meu senhor, são 5 e 40 da tarde.
- Pois é, mas o expediente aqui hoje foi até cinco e meia.
- Será que dá pra eu trabalhar aí? Porque eu tou aqui ligada no três e não tenho nem muita hora pra sair.
- Sei não, ó! A senhora liga na segunda. Que eu sou o vigia.
- E vem cá, moço. Como é que eu faço pra falar com a Fulana de Tal, que me atende?
- Minha senhora, dia de sexta aqui a galera vaza é cedo!
(VAZA É CEDO!!!!)
- E que horas então a galera chega aí de novo?
- Só às oito de segunda.
AAAAAAAAAAAAAAAAAL RIGHT.
MEU CLIENTE QUER DEMAIS SABER DISSO. QUER DEMAIS. O SONHO DELE.
um dia eu ainda boto ordem nessa putaria.
boa noite.
e vou já embora que dia de sexta feira eu vazo é cedo.
1.
pequenas cousas que sabemos que não podemos afastar de nós tão cedo, não que quiséssemos. tipo when i'm 64. eu vou continuar projetando essa peliculazinha na hora em que eu quiser.
assim é a mente, e é a serviço dela que trabalha minha preciosa memória seletiva.
2.
em breve, a cozinha terá seu primeiro almoço em família.
3.
fafi, deixa a menina sambar.
4.
"um gelo não anula um c."
frase célebre do poeta raphael villar
5.
beto, tu já deu quantas notas de 20 pros tocador? diabo de demora nesse tocantins!
6.
esse seis é para vitim que tem um feed réi e vem aqui sempre que eu atualizo. beijo, vitim.
7.
esse sete é pra pessoa que todo dia 8h da manhã entra aqui procurando por BARBA BRUSK, em caixa alta. é BARBRA.
8.
urile jânguile (eu escrevo do jeito que eu quiser)
9.
lautrec é bom. melhor molho de peixe que eu já comi na vida. a batata que veio com o filé do joão era qualquer coisa de irresistível. mas sinto dizer que em termos de quantidade/apelos diversos/clima, eu prefiro o cabaña. apesar de serem coisas completamente diferentes. mas eu posso comparar o que eu quiser com o que eu quiser. isso aqui é só um comentário.
10.
bom dia.
pequenas cousas que sabemos que não podemos afastar de nós tão cedo, não que quiséssemos. tipo when i'm 64. eu vou continuar projetando essa peliculazinha na hora em que eu quiser.
assim é a mente, e é a serviço dela que trabalha minha preciosa memória seletiva.
2.
em breve, a cozinha terá seu primeiro almoço em família.
3.
fafi, deixa a menina sambar.
4.
"um gelo não anula um c."
frase célebre do poeta raphael villar
5.
beto, tu já deu quantas notas de 20 pros tocador? diabo de demora nesse tocantins!
6.
esse seis é para vitim que tem um feed réi e vem aqui sempre que eu atualizo. beijo, vitim.
7.
esse sete é pra pessoa que todo dia 8h da manhã entra aqui procurando por BARBA BRUSK, em caixa alta. é BARBRA.
8.
urile jânguile (eu escrevo do jeito que eu quiser)
9.
lautrec é bom. melhor molho de peixe que eu já comi na vida. a batata que veio com o filé do joão era qualquer coisa de irresistível. mas sinto dizer que em termos de quantidade/apelos diversos/clima, eu prefiro o cabaña. apesar de serem coisas completamente diferentes. mas eu posso comparar o que eu quiser com o que eu quiser. isso aqui é só um comentário.
10.
bom dia.
28 de Maio de 2008
veja só que tolice as pessoas que já foram embora de nós e dos nossos se aproximando por meio de coisas que não existem mais.
EU DIGO É.
------------------ VALHA.
EU DIGO É.
------------------ VALHA.
27 de Maio de 2008
this window - same old same old
olhou na janela e tudo que estava lá estava posto como da última vez. como se uma continuista muito boa de cinema tivesse anotado tudo. a mesma menina descalça de saia rodada de brotoeja no pescoço - tudo normal, meu bem, como deveria ser.
e a gente fica olhando a vida de dentro, achando que muita coisa mudou, achando que tudo está melhor ou pior, achando que os sofrimentos da vida mudam, que os prazeres da vida mudam. tudo é do mesmo jeito. os prazeres eles mudam com o crescimento alguns deles, mudam, sim - o sexo, o álcool. mas o resto é normal. é a face ficar rosada com um elogio besta, é se sentir amada no meio da rua (aquela que muda de nome repentinamente e a gente nem nota), é rodar a saia e dançar, ouvindo música dentro da cabeça. é ter os amados por perto. é o estacionamento do supermercado. mudam os prismas das coisas, elas são as mesmas em essência. as cartas viraram diálogos curtos e eletrônicos, nem tão frios assim, como no começo - só diferentes. a criaturinha que andava pela mão do pai e da mãe agora tem na mão uma idéia vaga de segurar outra criatura. os embrulhos de nojo são os mesmos, as flores preferidas são as mesmas. o tamanho das coisas também muda. é o de dentro da vida que engana a gente. é o de dentro da gente que engana a vida. e a gente vai levando como pode. dentro ou fora da rede azul, vendo ou não aquele seriado e se questionando se tudo pode mesmo ser daquele jeito, como o roteirista quis. ele quis assim, meu bem, tudo como deveria ser.
tudo o que era brando morreu de fato. tudo o que era muito ígneo é intocado e continua como num filme cheio de seqüência.
na janela do lado de fora onde nada muda, é a gente, mesmo. essa gente que nunca vai a lugar nenhum e sempre se acaba nas mesmas preocupações. é essa gente que vê o fim de alguém de perto e não sabe aceitar, e dói o estômago, e travam as vísceras. é o medo de que o povo parta, que tudo se parta, que tudo se acabe. o farol do lado de fora do mundo lá no longe do prédio guia só a nossa pequena vontade em estar em todos os lugares ao mesmo tempo. eu digo o nome dela ela diz o meu nome, a gente diz o nome deles e se acalma, e conversa. nas pontas dos dedos, a gente pinga cola e faz uma meleca até endurecer, e virar uma bola de massinha plástica. o que hoje é de dentro ainda fica disso tudo o que foi vivido.
mas muita coisa não muda e permanece.
a mesma menina que acha horrível pechincha e odeia quem come batata frita de muito de uma vez. a mesminha, que pede picolé ao pai, que gosta de uva, que o vendedor ambulante passa no estádio e ela quer tudo. descalça, riscando com a vareta, um graveto qualquer, no chão de areia molhada da barraca do louro - a menina permanece a
mesmíssima
pessoa.
dele, meu escritor
"é.
é dor intransferível. nada há a ser feito.
ficar perto, em silêncio.
olhar docemente. isso pode.
é o que resiste.
já vivi uma passagem dessas.
aprendizado brutíssimo: vale para o resto de nossos dias. Mas só quando a agonia cessa.
vem a ausência. o buraco vazio do mundo vão."
a.c.
me repete o tempo todo na cabeça o buraco vazio do mundo vão.
esse sem fim de buraco.
olhou na janela e tudo que estava lá estava posto como da última vez. como se uma continuista muito boa de cinema tivesse anotado tudo. a mesma menina descalça de saia rodada de brotoeja no pescoço - tudo normal, meu bem, como deveria ser.
e a gente fica olhando a vida de dentro, achando que muita coisa mudou, achando que tudo está melhor ou pior, achando que os sofrimentos da vida mudam, que os prazeres da vida mudam. tudo é do mesmo jeito. os prazeres eles mudam com o crescimento alguns deles, mudam, sim - o sexo, o álcool. mas o resto é normal. é a face ficar rosada com um elogio besta, é se sentir amada no meio da rua (aquela que muda de nome repentinamente e a gente nem nota), é rodar a saia e dançar, ouvindo música dentro da cabeça. é ter os amados por perto. é o estacionamento do supermercado. mudam os prismas das coisas, elas são as mesmas em essência. as cartas viraram diálogos curtos e eletrônicos, nem tão frios assim, como no começo - só diferentes. a criaturinha que andava pela mão do pai e da mãe agora tem na mão uma idéia vaga de segurar outra criatura. os embrulhos de nojo são os mesmos, as flores preferidas são as mesmas. o tamanho das coisas também muda. é o de dentro da vida que engana a gente. é o de dentro da gente que engana a vida. e a gente vai levando como pode. dentro ou fora da rede azul, vendo ou não aquele seriado e se questionando se tudo pode mesmo ser daquele jeito, como o roteirista quis. ele quis assim, meu bem, tudo como deveria ser.
tudo o que era brando morreu de fato. tudo o que era muito ígneo é intocado e continua como num filme cheio de seqüência.
na janela do lado de fora onde nada muda, é a gente, mesmo. essa gente que nunca vai a lugar nenhum e sempre se acaba nas mesmas preocupações. é essa gente que vê o fim de alguém de perto e não sabe aceitar, e dói o estômago, e travam as vísceras. é o medo de que o povo parta, que tudo se parta, que tudo se acabe. o farol do lado de fora do mundo lá no longe do prédio guia só a nossa pequena vontade em estar em todos os lugares ao mesmo tempo. eu digo o nome dela ela diz o meu nome, a gente diz o nome deles e se acalma, e conversa. nas pontas dos dedos, a gente pinga cola e faz uma meleca até endurecer, e virar uma bola de massinha plástica. o que hoje é de dentro ainda fica disso tudo o que foi vivido.
mas muita coisa não muda e permanece.
a mesma menina que acha horrível pechincha e odeia quem come batata frita de muito de uma vez. a mesminha, que pede picolé ao pai, que gosta de uva, que o vendedor ambulante passa no estádio e ela quer tudo. descalça, riscando com a vareta, um graveto qualquer, no chão de areia molhada da barraca do louro - a menina permanece a
mesmíssima
pessoa.
dele, meu escritor
"é.
é dor intransferível. nada há a ser feito.
ficar perto, em silêncio.
olhar docemente. isso pode.
é o que resiste.
já vivi uma passagem dessas.
aprendizado brutíssimo: vale para o resto de nossos dias. Mas só quando a agonia cessa.
vem a ausência. o buraco vazio do mundo vão."
a.c.
me repete o tempo todo na cabeça o buraco vazio do mundo vão.
esse sem fim de buraco.
19 de Maio de 2008
afonso me mandou, de clarice
"Você não sabe que revelação para mim é ter um cão, ver e sentir a matéria de que é feito um cão. É a coisa mais doce que já vi, o cão é de uma paciência com a natureza impotente dele e com a natureza incompreensível dos outros...
E com os pequenos meios que ele tem, com uma burrice cheia de doçura, ele arranja modo de compreender a gente de modo direto."
CL
me faz pensar sobre quantas pessoas de burrices cheias de doçura eu conheço. assim como as muito espertas cheias de rudeza. cada uma com seu inestimável valor.
são
muitas coisas para dizer. muito trabalho, muito cinza, muito tempo que se leva pra fazer uma coisa simples numa cidade gigante. muita comida boa (mas não ganhei nenhuma grama sequer, só tou um poco inchada porque bebemos um pouco mais do que deveríamos). me senti um pouco gente grande, embora esse devesse ser um sentimento predominante e normal dentro da minha consciência, mas não é. acho que não faço muita questão de ser adulta-responsável-bem sucedida-cheia de autonomia. persigo outras coisas como fim que tornam essas simples meios. um dia a gente acha um pote de ouro do outro lado do arco-íris. enquanto isso, a gente vai achando bonito o arco-íris.
blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
"Você não sabe que revelação para mim é ter um cão, ver e sentir a matéria de que é feito um cão. É a coisa mais doce que já vi, o cão é de uma paciência com a natureza impotente dele e com a natureza incompreensível dos outros...
E com os pequenos meios que ele tem, com uma burrice cheia de doçura, ele arranja modo de compreender a gente de modo direto."
CL
me faz pensar sobre quantas pessoas de burrices cheias de doçura eu conheço. assim como as muito espertas cheias de rudeza. cada uma com seu inestimável valor.
são
muitas coisas para dizer. muito trabalho, muito cinza, muito tempo que se leva pra fazer uma coisa simples numa cidade gigante. muita comida boa (mas não ganhei nenhuma grama sequer, só tou um poco inchada porque bebemos um pouco mais do que deveríamos). me senti um pouco gente grande, embora esse devesse ser um sentimento predominante e normal dentro da minha consciência, mas não é. acho que não faço muita questão de ser adulta-responsável-bem sucedida-cheia de autonomia. persigo outras coisas como fim que tornam essas simples meios. um dia a gente acha um pote de ouro do outro lado do arco-íris. enquanto isso, a gente vai achando bonito o arco-íris.
blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
9 de Maio de 2008
A mecha
Dia desses me peguei convivendo com comentários permanentes sobre a presença de cabelos brancos na região da minha cucuruta. Lembrei dessa música que a Renata ouve nos dias que Roberto Carlos invade a Alecrim. Álvaro canta como só ele sabe cantar músicas sofridas, ou músicas de corno, ou músicas chorosas. Hoje de manhã, num desespero pra saber como era mesmo essa música, ele e Das Dores cantaram pra mim ao telefone. Quase caio no choro. Não porque sofro, mas como já costumava fazer meu pai, tem mais graça ouvir música triste quando não há tristeza de fato. Cansei de ouvir em casa, de um homem feliz da vida como meu amado pai, cantorias como: Perfídia, Perfume de Gardênia e uma que dizia assim: Quem era eu, quem era tu, que somos agora? Companheiros de outrora... Inimigos do amor.
Eu sempre ria. Álvaro mesmo, o cantor das músicas de dor de cotovelo, arrumou uma boneca pra namorar. Uma boneca que anda e fala!
E a mecha branca nos meus cabelos (do começo do texto) me faz postar abaixo, Desabafo. Pra você se desabafar também, meu caro leitorzinho.
Boa noite. Bom fim de semana a todos os fofos.
Desabafo
Roberto (!)
Porque me arrasto aos seus pés?
Porque me dou tanto assim?
E porque não peço em troca?
Nada de volta pra mim?
Porque é que eu fico calado?
Enquanto você me diz
Palavras que me machucam
Por coisas que eu nunca fiz
Porque é que eu rolo na cama
E você finge dormir
Mas se você quer eu quero
E não consigo fingir
Você é mesmo essa mecha
De branco nos meus cabelos
Você prá mim é uma ponta
A mais dos meus pesadelos
Mas acontece que eu
Não sei viver sem você
Às vezes me desabafo
Me desespero, porque?
Você é mais que um problema
É uma loucura qualquer
Mas sempre acabo em seus braços
Na hora que você quer
Dia desses me peguei convivendo com comentários permanentes sobre a presença de cabelos brancos na região da minha cucuruta. Lembrei dessa música que a Renata ouve nos dias que Roberto Carlos invade a Alecrim. Álvaro canta como só ele sabe cantar músicas sofridas, ou músicas de corno, ou músicas chorosas. Hoje de manhã, num desespero pra saber como era mesmo essa música, ele e Das Dores cantaram pra mim ao telefone. Quase caio no choro. Não porque sofro, mas como já costumava fazer meu pai, tem mais graça ouvir música triste quando não há tristeza de fato. Cansei de ouvir em casa, de um homem feliz da vida como meu amado pai, cantorias como: Perfídia, Perfume de Gardênia e uma que dizia assim: Quem era eu, quem era tu, que somos agora? Companheiros de outrora... Inimigos do amor.
Eu sempre ria. Álvaro mesmo, o cantor das músicas de dor de cotovelo, arrumou uma boneca pra namorar. Uma boneca que anda e fala!
E a mecha branca nos meus cabelos (do começo do texto) me faz postar abaixo, Desabafo. Pra você se desabafar também, meu caro leitorzinho.
Boa noite. Bom fim de semana a todos os fofos.
Desabafo
Roberto (!)
Porque me arrasto aos seus pés?
Porque me dou tanto assim?
E porque não peço em troca?
Nada de volta pra mim?
Porque é que eu fico calado?
Enquanto você me diz
Palavras que me machucam
Por coisas que eu nunca fiz
Porque é que eu rolo na cama
E você finge dormir
Mas se você quer eu quero
E não consigo fingir
Você é mesmo essa mecha
De branco nos meus cabelos
Você prá mim é uma ponta
A mais dos meus pesadelos
Mas acontece que eu
Não sei viver sem você
Às vezes me desabafo
Me desespero, porque?
Você é mais que um problema
É uma loucura qualquer
Mas sempre acabo em seus braços
Na hora que você quer
8 de Maio de 2008
só mais uma dos loser manos
sem querer ser chata.
"e se eu fosse o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado..."
a vida seria uma vida muito besta.
sonhos de consumo pequeno-burgueses-impossíveis
pensei que seria uma coisa inteligente comprar um triturador de papel (aquele do lixeiro). mas pensei que seria uma coisa um pouco inútil diante das prioridades que vêm antes, para as quais o dinheiro tem destino bem certo.
se o triturador de papel conseguisse destruir não só extratos de banco, pequenos segredos, bilhetes estampados, documentos, escrituras ou a bíblia todinha? (é só um exemplo, leitores católicos como eu).
se o triturador de papel funcionasse mentalmente com o ofício de sublimar (não só feito naftalina) pensamentos indevidos, situações inadequadas?
é. o "se" é que destrói a gente. mas se real isso fosse, o bendito triturador estaria na frente de todas as prioridades e o dinheiro teria, sim, seu destino certo.
e minha rede azul, nesse momento, seria o triturador de papel.
dia 13
estarei viajando e vou ficar quase 6 dias longe. mas não vou poder, por algum motivo que não pode ser dito (apesar de muito bom, não quero dar detalhes da minha vida profissional e do meu negócio por enquanto), não vou ter tempo de ver todos os meus queridos que moram no destino que vou estar.
mas os amo anyway.
bom dia.
sem querer ser chata.
"e se eu fosse o primeiro a prever e poder desistir do que for dar errado..."
a vida seria uma vida muito besta.
sonhos de consumo pequeno-burgueses-impossíveis
pensei que seria uma coisa inteligente comprar um triturador de papel (aquele do lixeiro). mas pensei que seria uma coisa um pouco inútil diante das prioridades que vêm antes, para as quais o dinheiro tem destino bem certo.
se o triturador de papel conseguisse destruir não só extratos de banco, pequenos segredos, bilhetes estampados, documentos, escrituras ou a bíblia todinha? (é só um exemplo, leitores católicos como eu).
se o triturador de papel funcionasse mentalmente com o ofício de sublimar (não só feito naftalina) pensamentos indevidos, situações inadequadas?
é. o "se" é que destrói a gente. mas se real isso fosse, o bendito triturador estaria na frente de todas as prioridades e o dinheiro teria, sim, seu destino certo.
e minha rede azul, nesse momento, seria o triturador de papel.
dia 13
estarei viajando e vou ficar quase 6 dias longe. mas não vou poder, por algum motivo que não pode ser dito (apesar de muito bom, não quero dar detalhes da minha vida profissional e do meu negócio por enquanto), não vou ter tempo de ver todos os meus queridos que moram no destino que vou estar.
mas os amo anyway.
bom dia.
7 de Maio de 2008
o que passou
- coordenação motora fina é uma coisa que se aprende no jardim.
- fui ao desfile da cantão no FFW com a claudinha e nem sequer prestamos atenção em nada. encontramos queridos no jardim da residência oficial (que mais parecia a sede de uma mini-micareta de famosos), e desatamos o fio de uma conversa muito boa pra terça à noite. minha biroska ontem foi no Fortaleza Fashion Week (piada interna).
engraçado. quando começou essa moda de ficar só dia de terça (www.biroskas.com) eu me sentia verdadeiramente só. e sempre esquecia que era terça e acabava ligando pro joão dizen: vamos jantar que horas? vamos nos ver que horas? o que vamos fazer hoje? depois comecei a lembrar que era terça e pensar que era um dia para cuidar das minhas coisas. fosse dormir, fosse ir no iguatemi ver as vitrines de sapato. depois eu vi que isso era um presente de deus, mesmo. poder cultivar o estar consigo, deitar na rede sem hora de levantar, ir e voltar, falar só, pensar em tudo o que quiser, sair pra onde for, voltar na hora que der.
a gente tem saudade, mas dia de terça virou assim um day off luxo.
thanks, tronco do gaúcho.
o que tem passado
- há dias esquisitíssimos. não comigo, mas com alguns que eu amo. não é bom, mas existe uma coisa chamada pensamento, mesmo, que atrai muitas vezes (mas não sempre) consigo uma série de reações do universo (eu assisti O Segredo, foi, mas não se preocupem que eu não vou virar uma chata e nem reprimir os pensamentos de vocês). então eu prefiro pensar que essas coisas vão passar e que isso é pequeno no meio das boas coisas.
- continuamos sem cozinha. parece que a poeira nunca vai acabar e que nunca mais vamos receber ninguém lá em casa. está tudo com cara de acampamento e estou comendo mal (é claro) por causa da ausência do fogão. mas a gente vai levando.
no máximo dia 15, tudo estará prontinho. no máximo dia 20, tudo estará arrumadinho, decorado, limpo e pronto para que vocês voltem para o sofá de onde nunca deveriam ter saído (mas pelo amor de deus, só fumem na varanda, sentem no sofá com cuidado, porque ele é bege e vocês vêm da rua e me tratem muito bem. mas eu estou com saudade de vocês, dos gritos de vocês e do playstation de vocês.)
citação da datada loser manos
"e no final, assim calado eu sei
que vou ser coroado rei
--------- de mim"
- coordenação motora fina é uma coisa que se aprende no jardim.
- fui ao desfile da cantão no FFW com a claudinha e nem sequer prestamos atenção em nada. encontramos queridos no jardim da residência oficial (que mais parecia a sede de uma mini-micareta de famosos), e desatamos o fio de uma conversa muito boa pra terça à noite. minha biroska ontem foi no Fortaleza Fashion Week (piada interna).
engraçado. quando começou essa moda de ficar só dia de terça (www.biroskas.com) eu me sentia verdadeiramente só. e sempre esquecia que era terça e acabava ligando pro joão dizen: vamos jantar que horas? vamos nos ver que horas? o que vamos fazer hoje? depois comecei a lembrar que era terça e pensar que era um dia para cuidar das minhas coisas. fosse dormir, fosse ir no iguatemi ver as vitrines de sapato. depois eu vi que isso era um presente de deus, mesmo. poder cultivar o estar consigo, deitar na rede sem hora de levantar, ir e voltar, falar só, pensar em tudo o que quiser, sair pra onde for, voltar na hora que der.
a gente tem saudade, mas dia de terça virou assim um day off luxo.
thanks, tronco do gaúcho.
o que tem passado
- há dias esquisitíssimos. não comigo, mas com alguns que eu amo. não é bom, mas existe uma coisa chamada pensamento, mesmo, que atrai muitas vezes (mas não sempre) consigo uma série de reações do universo (eu assisti O Segredo, foi, mas não se preocupem que eu não vou virar uma chata e nem reprimir os pensamentos de vocês). então eu prefiro pensar que essas coisas vão passar e que isso é pequeno no meio das boas coisas.
- continuamos sem cozinha. parece que a poeira nunca vai acabar e que nunca mais vamos receber ninguém lá em casa. está tudo com cara de acampamento e estou comendo mal (é claro) por causa da ausência do fogão. mas a gente vai levando.
no máximo dia 15, tudo estará prontinho. no máximo dia 20, tudo estará arrumadinho, decorado, limpo e pronto para que vocês voltem para o sofá de onde nunca deveriam ter saído (mas pelo amor de deus, só fumem na varanda, sentem no sofá com cuidado, porque ele é bege e vocês vêm da rua e me tratem muito bem. mas eu estou com saudade de vocês, dos gritos de vocês e do playstation de vocês.)
citação da datada loser manos
"e no final, assim calado eu sei
que vou ser coroado rei
--------- de mim"
29 de Abril de 2008
"What this power is I cannot say; all I know is that it exists and it becomes available only when a man is in that state of mind in which he knows exactly what he wants and is fully determined not to quit until he finds it." Graham Bell, o criador mais legal depois de Deus.
e é por ti, graham bell, que eu apaguei o que eu escrevi embaixo.
graham bell me lembra quando eu era pequena e a mamãe me mandava pegar o volume 18 do tesouro da juventude, bege com azul, que tinha sido do jonas. o volume 18 era o pai da enciclopédia e funcionava com índice do restante dos livros. graham bell estava lá e minha tarefa ganhava imediatamente uma resposta. e era ótimo. quantas vezes mamãe apontou com aquelas unhas pintadas de gabriela com rebu a citação que precisava ser apontada. quantas vezes aquelas unhas vermelhas não me apontaram nada, absolutamente nada, apenas a direção do volume 18. vai. procurar. pra aprender. aprenda.
quantas vezes o volume 18 me confundia a cabeça. mas foi por causa das unhas vermelhas apontando o volume 18 e não apontando a citação que eu precisava em qualquer outro dos volumes que eu aprendi a procurar.
o que eu acho são outros trezentos. mas aprendi a procurar.
o que eu não acho é porque não está lá. o que se perdeu não se perdeu só de mim. o resto está posto, e é caçando, correndo, buscando e indo atrás, ou na frente, que sempre, de algum modo, eu acho.
e sou grata por isso.
a mamãe e suas unhas vermelhas. go find it.
---------------------------------
jmn,
uma carta aberta para você, meu compartilhador de útero.
um dia queria um filho parecido contigo. não igual. acho que queria corrigir umas coisas, poucas, pequenas. talvez acrescentar com boa parte de m, tua outra irmã. mas queria alguém que, como disseram, fosse o reflexo dito, fiel, do que foi escrito pra ti pelos teus, pelos nossos. minha vida é esse pedaço incompleto sem vocês, e querendo ou não, vocês são meu melhor pedaço.
a casa de vocês já foi minha. os filhos de vocês são meus. dividimos. sinto saudades todos os dias, de todos. sinto saudades das pequenas bobagens, da janela do carro aberta, da curtição com a praia (que eu nem tanto gosto assim como vocês, pela obviedade que se tornam os verdes mares para um fortalezense qualquer - e eu sou um deles). sinto saudades todos os dias em que vejo lmf, seu afilhado, que me deram de presente como afilhado também, e fizemos você e eu, mais um par na vida. ele dança, faz o bico do vovô, anda cambaleando.
é o que a gente faz. cuida do que é também seu por aqui. rmmf e jwrf esbanjam saúde, cuidam das taxas, comem bem, vivem a vida que sonharam (?), a poucos metros de mim. minha casa por vezes é vazia de gente mas muito cheia de sentido. sei dos porquês, das limitações, do que vem no futuro. decidi não ter filhos até que a vida me prove o contrário. os de vocês são meus. tudo vai dando certo, construindo em si uma escada e vamos todos subindo degrau por degrau.
quando nem tudo vai dando certo, temos um ao outro. tenho você quando não sei como ajudar alguém. tenho você. tenho.
jmn, pedaço bom de mim. sou grata também a ti. pelas lições numa cidade fria e cinza, pelas lições de amor. por tudo. pelos meus. aqueles que também são teus de algum modo. pedaço bom de mim.
e é por ti, graham bell, que eu apaguei o que eu escrevi embaixo.
graham bell me lembra quando eu era pequena e a mamãe me mandava pegar o volume 18 do tesouro da juventude, bege com azul, que tinha sido do jonas. o volume 18 era o pai da enciclopédia e funcionava com índice do restante dos livros. graham bell estava lá e minha tarefa ganhava imediatamente uma resposta. e era ótimo. quantas vezes mamãe apontou com aquelas unhas pintadas de gabriela com rebu a citação que precisava ser apontada. quantas vezes aquelas unhas vermelhas não me apontaram nada, absolutamente nada, apenas a direção do volume 18. vai. procurar. pra aprender. aprenda.
quantas vezes o volume 18 me confundia a cabeça. mas foi por causa das unhas vermelhas apontando o volume 18 e não apontando a citação que eu precisava em qualquer outro dos volumes que eu aprendi a procurar.
o que eu acho são outros trezentos. mas aprendi a procurar.
o que eu não acho é porque não está lá. o que se perdeu não se perdeu só de mim. o resto está posto, e é caçando, correndo, buscando e indo atrás, ou na frente, que sempre, de algum modo, eu acho.
e sou grata por isso.
a mamãe e suas unhas vermelhas. go find it.
---------------------------------
jmn,
uma carta aberta para você, meu compartilhador de útero.
um dia queria um filho parecido contigo. não igual. acho que queria corrigir umas coisas, poucas, pequenas. talvez acrescentar com boa parte de m, tua outra irmã. mas queria alguém que, como disseram, fosse o reflexo dito, fiel, do que foi escrito pra ti pelos teus, pelos nossos. minha vida é esse pedaço incompleto sem vocês, e querendo ou não, vocês são meu melhor pedaço.
a casa de vocês já foi minha. os filhos de vocês são meus. dividimos. sinto saudades todos os dias, de todos. sinto saudades das pequenas bobagens, da janela do carro aberta, da curtição com a praia (que eu nem tanto gosto assim como vocês, pela obviedade que se tornam os verdes mares para um fortalezense qualquer - e eu sou um deles). sinto saudades todos os dias em que vejo lmf, seu afilhado, que me deram de presente como afilhado também, e fizemos você e eu, mais um par na vida. ele dança, faz o bico do vovô, anda cambaleando.
é o que a gente faz. cuida do que é também seu por aqui. rmmf e jwrf esbanjam saúde, cuidam das taxas, comem bem, vivem a vida que sonharam (?), a poucos metros de mim. minha casa por vezes é vazia de gente mas muito cheia de sentido. sei dos porquês, das limitações, do que vem no futuro. decidi não ter filhos até que a vida me prove o contrário. os de vocês são meus. tudo vai dando certo, construindo em si uma escada e vamos todos subindo degrau por degrau.
quando nem tudo vai dando certo, temos um ao outro. tenho você quando não sei como ajudar alguém. tenho você. tenho.
jmn, pedaço bom de mim. sou grata também a ti. pelas lições numa cidade fria e cinza, pelas lições de amor. por tudo. pelos meus. aqueles que também são teus de algum modo. pedaço bom de mim.
nos livros existirão os registros de que demócrito dummar se foi, mas não exatamente como. lendo o jornal, a vontade é de contar histórias, de escrever, de relatar, de sentir. e um pouco de lamento, porque nunca nem ao menos o vi de perto.
me pego essa semana tentando fazer mais uma das minhas poucas matérias jornalísticas. muito pessoal, muito amor envolvido. quase impossível, pro jornalismo de fato. pro meu jornalismo, é ainda mais bonito.
vai sair.
-------------------------
algumas impossibilidades da vida. pequenos muros. a gente anda, à frente, chega, e perto estão imponentes cinzas e intransponíveis: pequenos muros. se há que pular, passar por cima, fingir que não existem. mas é preciso uma breve ajuda. quando a gente era pequeno se dava pezinho.
olho pra trás, seguidas vezes. ninguém parece querer me dar pezinho.
e estou sem aquelas garras afiadas dantes, quando qualquer monte de metros de altura pareciam um batente.
um dia eu volto com elas. hoje não as tenho.
me pego essa semana tentando fazer mais uma das minhas poucas matérias jornalísticas. muito pessoal, muito amor envolvido. quase impossível, pro jornalismo de fato. pro meu jornalismo, é ainda mais bonito.
vai sair.
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olho pra trás, seguidas vezes. ninguém parece querer me dar pezinho.
e estou sem aquelas garras afiadas dantes, quando qualquer monte de metros de altura pareciam um batente.
um dia eu volto com elas. hoje não as tenho.
22 de Abril de 2008
para alisson, nosso primeiro hóspede:
We hope you enjoyed your stay
It’s good to have you with us, even if it’s just for the day
We hope you enjoyed your stay
Outside the sun is shining, seems like heaven ain’t far away
It’s good to have you with us
Even if it’s just for the day
(the killers - minha banda favorita para dirigir ou beber, nunca uma coisa depois da outra, hein. que sou boazinha)
We hope you enjoyed your stay
It’s good to have you with us, even if it’s just for the day
We hope you enjoyed your stay
Outside the sun is shining, seems like heaven ain’t far away
It’s good to have you with us
Even if it’s just for the day
(the killers - minha banda favorita para dirigir ou beber, nunca uma coisa depois da outra, hein. que sou boazinha)
20 de Abril de 2008
os dissabores da tv a cabo
eu não alugaria de novo "minha vida sem mim", porque eu choro. e hoje é domingo, e amanhã nem é feriado porque vou trabalhar... e tem toda aquela besteira de que domingo é mesmo o pior dia ever. sempre foi, vai ser sempre.
ontem tivemos uma noite muito boa, e inusitada. fazia tempo que eu planejava isso e nunca acontecia, mas joão e eu conseguimos ficar em casa, sozinhos, e descemos pra piscina de noite com uma toalha, uns copos de bebida, a caixa de som do ipod e boa vontade.
fiquei dentro da piscina com meu biquini de onça falando mais do que o homem da cobra. ele, silencioso, acenava com a cabeça, falava com caretas, pequenos gestos. e foi muito bom. ele nunca vai falar mais do que o homem da cobra feito eu.
e hoje acordei mais cedo que o de costume, fiz a aveia que eu aprendi no katheats e a mariana já tinha testado, mas não sei o que é baking powder. o que é? comi quentinho de camisola dentro da rede, mudei a receita aumentando umas coisas que eu gostava e, por 20 minutos, tentei comer tudo e não deu. é realmente a melhor coisa de longe pra matar a fome de alguém, porque comi 1/2 porção, são duas horas da tarde, queria muito apetite pra almoçar e não parece que eu vá ter tão cedo. ou seja, é uma boa refeição pra 6h da manhã. pras 10h não, porque atrapalha o almoço.
zapeando, zapeando, zapeando, ensaiei ver umas besteiras no discovery home and health, people and arts estava péssimo, estou meio de saco cheio da sony (só vejo desperate, ugly betty e grey's anatomy. o resto eu só olho). aí vi a "ann" na fox life, no consultório do doutor, acabando de saber que ia morrer. era "minha vida sem mim" e eu, que não alugaria nem de graça, não consegui mais mudar de canal.
agora estou eu aqui na rede azul, banhada de lágrimas, os olhos ardendo, a boca vermelha... é meu instrumento pra chorar e chorar é bom por demais. mas não deveria ter sido hoje.
sobre fazer as coisas do lado de fora do mundo, sobre passear, sobre várias coisas da vida, temos subido uma escada de felicidade. e, por causa disso, mesmo não sendo ecologicamene bonito, vou tomar um banho bem demorado sentada no meu banco de plástico e vou ver a vida passar do lado de fora, nas poucas horas de sol que ainda temos hoje.
bom dia.
eu não alugaria de novo "minha vida sem mim", porque eu choro. e hoje é domingo, e amanhã nem é feriado porque vou trabalhar... e tem toda aquela besteira de que domingo é mesmo o pior dia ever. sempre foi, vai ser sempre.
ontem tivemos uma noite muito boa, e inusitada. fazia tempo que eu planejava isso e nunca acontecia, mas joão e eu conseguimos ficar em casa, sozinhos, e descemos pra piscina de noite com uma toalha, uns copos de bebida, a caixa de som do ipod e boa vontade.
fiquei dentro da piscina com meu biquini de onça falando mais do que o homem da cobra. ele, silencioso, acenava com a cabeça, falava com caretas, pequenos gestos. e foi muito bom. ele nunca vai falar mais do que o homem da cobra feito eu.
e hoje acordei mais cedo que o de costume, fiz a aveia que eu aprendi no katheats e a mariana já tinha testado, mas não sei o que é baking powder. o que é? comi quentinho de camisola dentro da rede, mudei a receita aumentando umas coisas que eu gostava e, por 20 minutos, tentei comer tudo e não deu. é realmente a melhor coisa de longe pra matar a fome de alguém, porque comi 1/2 porção, são duas horas da tarde, queria muito apetite pra almoçar e não parece que eu vá ter tão cedo. ou seja, é uma boa refeição pra 6h da manhã. pras 10h não, porque atrapalha o almoço.
zapeando, zapeando, zapeando, ensaiei ver umas besteiras no discovery home and health, people and arts estava péssimo, estou meio de saco cheio da sony (só vejo desperate, ugly betty e grey's anatomy. o resto eu só olho). aí vi a "ann" na fox life, no consultório do doutor, acabando de saber que ia morrer. era "minha vida sem mim" e eu, que não alugaria nem de graça, não consegui mais mudar de canal.
agora estou eu aqui na rede azul, banhada de lágrimas, os olhos ardendo, a boca vermelha... é meu instrumento pra chorar e chorar é bom por demais. mas não deveria ter sido hoje.
sobre fazer as coisas do lado de fora do mundo, sobre passear, sobre várias coisas da vida, temos subido uma escada de felicidade. e, por causa disso, mesmo não sendo ecologicamene bonito, vou tomar um banho bem demorado sentada no meu banco de plástico e vou ver a vida passar do lado de fora, nas poucas horas de sol que ainda temos hoje.
bom dia.
15 de Abril de 2008
JÁ POSSO DIZER ÊÊ
sobre as férias, vou dia 15 de julho para a
ARGENTINA.
muito bem. muito feliz. passagem emitida, hotel reservado e muita diversão ao lado de marido.
só não posso comemorar gritando
desde domingo, estou sem voz. apesar de ser horrível estar com essa virose chata, agradeço imensamente a deus por não estar com dengue. ave. pelo menos, mesmo sem voz, posso trabalhar. só não posso gritar com ninguém, o que é sempre péssimo. não que eu viva gritando, mas a impossibilidade disso me agoneia.
besos.
eu tô louca ou....
o uol e o terra tão dizendo que a isabela nardoni foi asfixiada pela madastra e jogada pelo pai? sinceramente, nunca esperei isso. será que a família (pai e irmã de alexandre) mentiu no fantástico dizendo que tinha CERTEZA ABSOLUTA que ele NUNCA faria isso? será que sabiam? que história troncha, que coisa triste e absurda ao mesmo tempo. sofrer a morte da menina foi de certa forma secundário. o que a sociedade passou foi mesmo momentos de dúvida, indignação e uma certa mudança de foco com relação ao caso. quem matou passou a ser muito mais importante do que a vida que foi perdida.
o que poderia ser pior do que isso mesmo?
sobre as férias, vou dia 15 de julho para a
ARGENTINA.
muito bem. muito feliz. passagem emitida, hotel reservado e muita diversão ao lado de marido.
só não posso comemorar gritando
desde domingo, estou sem voz. apesar de ser horrível estar com essa virose chata, agradeço imensamente a deus por não estar com dengue. ave. pelo menos, mesmo sem voz, posso trabalhar. só não posso gritar com ninguém, o que é sempre péssimo. não que eu viva gritando, mas a impossibilidade disso me agoneia.
besos.
eu tô louca ou....
o uol e o terra tão dizendo que a isabela nardoni foi asfixiada pela madastra e jogada pelo pai? sinceramente, nunca esperei isso. será que a família (pai e irmã de alexandre) mentiu no fantástico dizendo que tinha CERTEZA ABSOLUTA que ele NUNCA faria isso? será que sabiam? que história troncha, que coisa triste e absurda ao mesmo tempo. sofrer a morte da menina foi de certa forma secundário. o que a sociedade passou foi mesmo momentos de dúvida, indignação e uma certa mudança de foco com relação ao caso. quem matou passou a ser muito mais importante do que a vida que foi perdida.
o que poderia ser pior do que isso mesmo?
13 de Abril de 2008
esses são eles
ontem foi o casamento da bia. coisa mais linda. noiva parecia meio norte americana e tinha o penteado mais lindo do brasil. tive o prazer de encontrá-la mais cedo no salão e conversamos. candice veio. poucos abraços, mas valorosos. um dia estava reclamando de saudade e ela disse: nossa sorte é que nunca estragamos momentos juntas, sempre soubemos que aqueles pequenos momentos em que não fazíamos nada além de conversar (ou silenciar) eram bons, não eram para sempre, deviam ser respeitados, cultivados, valorizados. e foram.
a festa foi muito boa muito boa muito boa. guga, lamarão e marquinhos discotecaram e nós dançamos.
rapha, obrigada, meu amor. :)
essa (não) sou eu(?)
chorei diversas vezes hoje. de tristeza (um pouco) porque minha garganta dói horrores e não posso ficar doente até 25 de abril, de jeito nenhum. meu corpo também dói.
alexandre, da tê, voltou pro hospital com dengue. há um tempo tê não vem e a casa tá bem precisando ser limpa. as roupas precisando ser lavadas. muitas coisas. tenho dado conta do que posso, mas hoje não pude lavar uma xícara sequer, porque a água da pia da cozinha tá gelada e basta um toque pra começar a espirradeira. e espirrar eu até que não detesto, mas espirrar doente é a pior coisa. cabeça dói, piora a irritação da garganta. uó.
chorei também vendo um programa na record. chorei vendo a fernanda montenegro indo visitar a itália no fantástico. chorei até no encerramento do programa, quando mostrou o famoso show do rei roberto no aterro. o povo gritando, cantando, morto de felicidade, uma multidão, jesus. a prefeita loura segue em frente, sendo criticada e respondendo sempre com um pulso que é ao mesmo tempo admirável e patético.
eu PAGO pro povo ver o roberto carlos
profundamente
repetindo, repetindo, repetindo. as horas em que, se não falarmos pra dentro de nós, se não nos tomarmos como um outro alguém dotado de sentimento compaixão auto-comiseração, o mundo se cria em volta de nós em forma de bolha. por isso eu continuo com a alma de seis anos, muito solitária de gente da minha idade, muito precoce, muito espilicute, muito falando sozinha no banheiro ou no quarto.
é conversando só, falando só, pensando só que eu me encontro diversa dentro. é assim que a gente faz a vida multifacetada valer a pena. não é sobre alter egos, sobre dupla personalidade. acho que todo mundo guarda dentro de si um monstro ou um médico ou um ser humano equivalente ao que se é no principal. eu guardo em mim um monte vários. graças a deus eu guardo. e não que dessa maneira não exista solidão. talvez uma solidão triplicada, solidão de muitos. e não que isso seja uma coisa ruim. talvez horrível, sometimes, talvez muito boa na maioria das horas, porque há que se ficar sozinho, ainda que seja um sozinho acompanhado pelas ditas multifacetas.
a vida segue de maneira bem mansa. não fosse o cotidiano publicitário, a vida seguiria sempre de maneira bem mansa. mas não sei se troco a publicidade por mansidão. acostumei, comecei a gostar, surpreendi meu contra-gosto. hoje me pego muito esperta, muito falha como todo mundo falha, mas muito esperta. quem diria que um dia a teoricazinha do banco da universidade daria uma boa negociante.
mas voltando ao assunto do repetindo repetindo repetindo, não trocaria o cotidiano publicitário por mansidão. mansidão eu tenho de noite e no fim de semana (quem me dera fosse sempre assim).
e só um adendo no contrato: sinto muita falta de passear. preciso criar coragem. nunca mais passeei. os dias da semana são preenchidos por trabalho. sexta se sai (urgh!), sábado se acorda tarde (urgh!). sábado a tarde voa. sábado à noite se sai. domingo se morga. é o horror da vida recém-adultificada. ou é mal de brasileiro ou cearense?
sinto falta de andar, de padarias, parques, jardins, casas alheias, calçadas, shoppings (até eles), lojas de rua, cinema, reuniões íntimas, pequenas floriculturas, algo que não seja um computador, uma cama, uma televisão ou um bar barulhento.
vou fazer um acordo comigo. listar 10 nomes de lugares para visitar nos próximos finais de semana (ou quem sabe na semana) pra essa sensação ir embora.
vou fazer isso logo.
1. andar ou correr na praça ou na beira mar.
2. andar na rua pela aldeota segura.
3. praia (mesmo de tardinha, que é como gosto).
4. almoçar a pé no verdelima com a rê no dia em que não chover.
5. tomar um chá ou água de coco fora.
6.
7.
8.
9.
10.
será que a cidade é sem graça mesmo ou eu não tenho um pingo de criatividade quando o assunto é passear? eu fico lendo meus blos favoritos em inglês e vendo o povo SE MATANDO DE DESEJO de ter um clima agradável pra sair na rua, e a gente com o tempo marromeno ótimo não sei nem a pau. só de carro e só pra BAR e só de noite.
eu continuo amando muito vocês todos, mas eu não suporto mais não celebrar nada. a gente só bebe, só se encontra, só fofoca, só senta, só dança, só nada. eu não aguento mais não e peço desculpas sinceras. queria viver a vida real um pouco.
(isso não é chatice de quem casou, eu não sou velhinha, não vou parar de sair, nem nada. só não queria sair de casa APENAS com essa intenção e passar o resto da minha vida ENTRE TRÊS OPÇÕES: 1 o fundo da rede. 2 o trabalho. 3 as famosas farras.
dá não.)
ah, também tenho uns compromissos dentro de casa, enquando o alexandre não ficar bom e a tê não vier lavar nossa roupa.
1. lavar os banheiros
2. passar a vassoura na madeira (sala e corredor)
3. manter a ordem do MEU guarda-roupa
4. LAVAR OS LIXEIROS (URRRRGH)
5. organizar as coisas que estão fora do lugar, principalmente em gavetas
6. trocar a roupa de cama
7. deixar o quarto de TV habitável
(acho que tenho que voltar cedo amanhã. do contrário, não faço isso nem em uma semana).
QUEM QUISER COMPLETAR MEUS ÍTENS, FIQUE À VONTADE. ESTOU ACEITANDO SUGESTÕES.
ontem foi o casamento da bia. coisa mais linda. noiva parecia meio norte americana e tinha o penteado mais lindo do brasil. tive o prazer de encontrá-la mais cedo no salão e conversamos. candice veio. poucos abraços, mas valorosos. um dia estava reclamando de saudade e ela disse: nossa sorte é que nunca estragamos momentos juntas, sempre soubemos que aqueles pequenos momentos em que não fazíamos nada além de conversar (ou silenciar) eram bons, não eram para sempre, deviam ser respeitados, cultivados, valorizados. e foram.
a festa foi muito boa muito boa muito boa. guga, lamarão e marquinhos discotecaram e nós dançamos.
rapha, obrigada, meu amor. :)
essa (não) sou eu(?)
chorei diversas vezes hoje. de tristeza (um pouco) porque minha garganta dói horrores e não posso ficar doente até 25 de abril, de jeito nenhum. meu corpo também dói.
alexandre, da tê, voltou pro hospital com dengue. há um tempo tê não vem e a casa tá bem precisando ser limpa. as roupas precisando ser lavadas. muitas coisas. tenho dado conta do que posso, mas hoje não pude lavar uma xícara sequer, porque a água da pia da cozinha tá gelada e basta um toque pra começar a espirradeira. e espirrar eu até que não detesto, mas espirrar doente é a pior coisa. cabeça dói, piora a irritação da garganta. uó.
chorei também vendo um programa na record. chorei vendo a fernanda montenegro indo visitar a itália no fantástico. chorei até no encerramento do programa, quando mostrou o famoso show do rei roberto no aterro. o povo gritando, cantando, morto de felicidade, uma multidão, jesus. a prefeita loura segue em frente, sendo criticada e respondendo sempre com um pulso que é ao mesmo tempo admirável e patético.
eu PAGO pro povo ver o roberto carlos
profundamente
repetindo, repetindo, repetindo. as horas em que, se não falarmos pra dentro de nós, se não nos tomarmos como um outro alguém dotado de sentimento compaixão auto-comiseração, o mundo se cria em volta de nós em forma de bolha. por isso eu continuo com a alma de seis anos, muito solitária de gente da minha idade, muito precoce, muito espilicute, muito falando sozinha no banheiro ou no quarto.
é conversando só, falando só, pensando só que eu me encontro diversa dentro. é assim que a gente faz a vida multifacetada valer a pena. não é sobre alter egos, sobre dupla personalidade. acho que todo mundo guarda dentro de si um monstro ou um médico ou um ser humano equivalente ao que se é no principal. eu guardo em mim um monte vários. graças a deus eu guardo. e não que dessa maneira não exista solidão. talvez uma solidão triplicada, solidão de muitos. e não que isso seja uma coisa ruim. talvez horrível, sometimes, talvez muito boa na maioria das horas, porque há que se ficar sozinho, ainda que seja um sozinho acompanhado pelas ditas multifacetas.
a vida segue de maneira bem mansa. não fosse o cotidiano publicitário, a vida seguiria sempre de maneira bem mansa. mas não sei se troco a publicidade por mansidão. acostumei, comecei a gostar, surpreendi meu contra-gosto. hoje me pego muito esperta, muito falha como todo mundo falha, mas muito esperta. quem diria que um dia a teoricazinha do banco da universidade daria uma boa negociante.
mas voltando ao assunto do repetindo repetindo repetindo, não trocaria o cotidiano publicitário por mansidão. mansidão eu tenho de noite e no fim de semana (quem me dera fosse sempre assim).
e só um adendo no contrato: sinto muita falta de passear. preciso criar coragem. nunca mais passeei. os dias da semana são preenchidos por trabalho. sexta se sai (urgh!), sábado se acorda tarde (urgh!). sábado a tarde voa. sábado à noite se sai. domingo se morga. é o horror da vida recém-adultificada. ou é mal de brasileiro ou cearense?
sinto falta de andar, de padarias, parques, jardins, casas alheias, calçadas, shoppings (até eles), lojas de rua, cinema, reuniões íntimas, pequenas floriculturas, algo que não seja um computador, uma cama, uma televisão ou um bar barulhento.
vou fazer um acordo comigo. listar 10 nomes de lugares para visitar nos próximos finais de semana (ou quem sabe na semana) pra essa sensação ir embora.
vou fazer isso logo.
1. andar ou correr na praça ou na beira mar.
2. andar na rua pela aldeota segura.
3. praia (mesmo de tardinha, que é como gosto).
4. almoçar a pé no verdelima com a rê no dia em que não chover.
5. tomar um chá ou água de coco fora.
6.
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será que a cidade é sem graça mesmo ou eu não tenho um pingo de criatividade quando o assunto é passear? eu fico lendo meus blos favoritos em inglês e vendo o povo SE MATANDO DE DESEJO de ter um clima agradável pra sair na rua, e a gente com o tempo marromeno ótimo não sei nem a pau. só de carro e só pra BAR e só de noite.
eu continuo amando muito vocês todos, mas eu não suporto mais não celebrar nada. a gente só bebe, só se encontra, só fofoca, só senta, só dança, só nada. eu não aguento mais não e peço desculpas sinceras. queria viver a vida real um pouco.
(isso não é chatice de quem casou, eu não sou velhinha, não vou parar de sair, nem nada. só não queria sair de casa APENAS com essa intenção e passar o resto da minha vida ENTRE TRÊS OPÇÕES: 1 o fundo da rede. 2 o trabalho. 3 as famosas farras.
dá não.)
ah, também tenho uns compromissos dentro de casa, enquando o alexandre não ficar bom e a tê não vier lavar nossa roupa.
1. lavar os banheiros
2. passar a vassoura na madeira (sala e corredor)
3. manter a ordem do MEU guarda-roupa
4. LAVAR OS LIXEIROS (URRRRGH)
5. organizar as coisas que estão fora do lugar, principalmente em gavetas
6. trocar a roupa de cama
7. deixar o quarto de TV habitável
(acho que tenho que voltar cedo amanhã. do contrário, não faço isso nem em uma semana).
QUEM QUISER COMPLETAR MEUS ÍTENS, FIQUE À VONTADE. ESTOU ACEITANDO SUGESTÕES.
12 de Abril de 2008
deitada na rede azul que a sogra deu ou
o computador do rapaz
- aqui da rede azul posso ouvir o barulhinho da chuva, e nosso canteiro vazio, que denota preguiça aguda de cultivar, sai coletando a água. até pensei em comprar uma estufa prontinha, para os temperos ou algumas mudinhas de hibisco, espadas, bougavilles. mas me falta alguma coisa. ainda estou aprendendo a dominar o setor de limpeza. próximo passo é o setor de cozinha. setor de organização de maridos. domino com destreza o setor supermercado. tenho medo do setor roupas, como já disse.
deixo o setor de cultivos para depois.
-- me sinto meio fraca de noite. fazemos silêncio, como é de costume.
--- recebi um atendimento de veículo essa semana e foi engraçado dar um abraço de despedida e ouvir: tu é ligada na tomada. depois de trancar o cadeado e voltar pra trabalhar, fiquei pensando na constatação. eu sou mesmo ligada na tomada, não é uma coisa natural de mim, é tomada. tanto que quando desligo, fico assim, ronronando, espreguiçando, lendo, deitada na rede azul. no computador do rapaz.
---- nem tenho tanta saudade assim da rua hoje. resolvi dizer que queria ficar. o que há de mal nisso. a casa da gente tem que ser o lugar mais legal senão a vida lá de fora perde o sal. jantamos hoje na mesa como uma família legítima de dois e a tendência é melhorar, já que nossa cozinha chega dia 29 de abril. até hoje, vivíamos com uma cozinha bem rude, que já veio no apartamento e eu creio que tenha vinte anos, por quem aprendi a me afeiçoar. a cozinha fez parte dos meus primeiros desafios em entender como funcionavam determinados eletrodomésticos e como deveria organizar tantos presentes lindos de casamento num espaço sem muitos armários. foi o primeiro lugar da casa que arrumei, enfeitei, para o qual comprei plásticos e organizadores. é o segundo lugar onde mais gosto de estar. se é para rankear num top 1000, quem ganha é aqui, no canto do quarto de tv, ouvindo o barulho da chuva, o fundo da rede azul.
pois minha cozinha rude (nossa?) se transformou num dos lugares a que me apeguei incondicionalmente desde que chegamos aqui. gosto dela até mais que da sala de madeira, tão bonita e ampla. as garrafas pintadas, o caminho de mesa de fuxico, as cadeirinhas de plástico, os armários povoados de bichinhos da madeira e condenados a cair. a umidade debaixo da pia, a falta de gavetas. pra tudo damos um jeito. com tudo aprendemos a conviver, e é assim que eu me vejo perdidamente apaixonada pela cozinha que um dia chamei de "aquele buraco ridículo". hoje ela pegou nosso jeito, nossa cara, e tem canto pra tudo, ainda que por meio de pequenas gambiarras.
oh, well. dia 29 chega uma cozinha bem linda, bem projetada, bem arrumada, bem chique. vou gostar dela. até obedece os novos padrões mundiais de cozinhas não habitadas, que eu acho FRIO e bonito ao mesmo tempo. já que não tivemos tempo, pulso ou criatividade para fazer a cozinha com que sempre sonhei (tipo cozinha de fazenda mineira), escolhemos essa. e foi melhor. dará menos trabalho, terá anos de garantia, a madeira é certificada, o preço foi bom. vai ser bonita.
não é auto-consolo.
estamos resolvendo o que vamos fazer com a velha. os armários, digo. não sei se vamos doar ao emaús junto com o quase finado george foremann grill. quem sabe.
------ coisas dando muito certo na alecrim. sem perfeição a alcançar porque sabemos do nosso limite de negócio e uma empresa de publicidade (E ASSESSORIA, NOS CONTRATE!) não é uma empresa como outra qualquer. há pontos em comum com vários outros negócios de serviços, mas com muitíssimas peculiaridades. às vezes sinto falta de um outro amigo publicitário-pequeno-empresário para trocar idéias, desabafar, comemorar, conversar.
-------- nossas férias vão ser a cinco graus negativos. fui à rota habitual c&a, riachuelo e renner (se tiver que rankear, coloco a renner em primeiro, mas acho o serviço do provador SOFRÍVEL). muitas coisas bonitinhas à venda. o inverno nas lojas de departamento oscila entre a figura da mulher elegante e da retardada de capa de chuva dos anos 60. tudo bem legal e apelativo. tinha uma promoção de bolsas na renner e carol e renata conseguiram comprar a bolsa mais legais dos últimos tempos por menos de 30 reais. e enorme.
----------- o que será a rede azul pra quem eu costumo amar? onde os queridos se desligam da tomada?
acho que a "rede azul" do joão é o playstation.
--------------- continuo intrigada com a falta de respostas sobre quem matou isabella nardoni. bi-zar-ro.
- diquinha: tem uma aveia da nestlé nova (nova só no ceará, porque no sul deve ser velha) que se chama aveia plus e tem escrito no rótulo: experimente pura. eu, que não sou muito afeita a misturar cereal com nada molhado (porque fica logo mole) adorei a idéia e comprei.
depois digo se gostei.
vou já comer na rede azul.
o computador do rapaz
- aqui da rede azul posso ouvir o barulhinho da chuva, e nosso canteiro vazio, que denota preguiça aguda de cultivar, sai coletando a água. até pensei em comprar uma estufa prontinha, para os temperos ou algumas mudinhas de hibisco, espadas, bougavilles. mas me falta alguma coisa. ainda estou aprendendo a dominar o setor de limpeza. próximo passo é o setor de cozinha. setor de organização de maridos. domino com destreza o setor supermercado. tenho medo do setor roupas, como já disse.
deixo o setor de cultivos para depois.
-- me sinto meio fraca de noite. fazemos silêncio, como é de costume.
--- recebi um atendimento de veículo essa semana e foi engraçado dar um abraço de despedida e ouvir: tu é ligada na tomada. depois de trancar o cadeado e voltar pra trabalhar, fiquei pensando na constatação. eu sou mesmo ligada na tomada, não é uma coisa natural de mim, é tomada. tanto que quando desligo, fico assim, ronronando, espreguiçando, lendo, deitada na rede azul. no computador do rapaz.
---- nem tenho tanta saudade assim da rua hoje. resolvi dizer que queria ficar. o que há de mal nisso. a casa da gente tem que ser o lugar mais legal senão a vida lá de fora perde o sal. jantamos hoje na mesa como uma família legítima de dois e a tendência é melhorar, já que nossa cozinha chega dia 29 de abril. até hoje, vivíamos com uma cozinha bem rude, que já veio no apartamento e eu creio que tenha vinte anos, por quem aprendi a me afeiçoar. a cozinha fez parte dos meus primeiros desafios em entender como funcionavam determinados eletrodomésticos e como deveria organizar tantos presentes lindos de casamento num espaço sem muitos armários. foi o primeiro lugar da casa que arrumei, enfeitei, para o qual comprei plásticos e organizadores. é o segundo lugar onde mais gosto de estar. se é para rankear num top 1000, quem ganha é aqui, no canto do quarto de tv, ouvindo o barulho da chuva, o fundo da rede azul.
pois minha cozinha rude (nossa?) se transformou num dos lugares a que me apeguei incondicionalmente desde que chegamos aqui. gosto dela até mais que da sala de madeira, tão bonita e ampla. as garrafas pintadas, o caminho de mesa de fuxico, as cadeirinhas de plástico, os armários povoados de bichinhos da madeira e condenados a cair. a umidade debaixo da pia, a falta de gavetas. pra tudo damos um jeito. com tudo aprendemos a conviver, e é assim que eu me vejo perdidamente apaixonada pela cozinha que um dia chamei de "aquele buraco ridículo". hoje ela pegou nosso jeito, nossa cara, e tem canto pra tudo, ainda que por meio de pequenas gambiarras.
oh, well. dia 29 chega uma cozinha bem linda, bem projetada, bem arrumada, bem chique. vou gostar dela. até obedece os novos padrões mundiais de cozinhas não habitadas, que eu acho FRIO e bonito ao mesmo tempo. já que não tivemos tempo, pulso ou criatividade para fazer a cozinha com que sempre sonhei (tipo cozinha de fazenda mineira), escolhemos essa. e foi melhor. dará menos trabalho, terá anos de garantia, a madeira é certificada, o preço foi bom. vai ser bonita.
não é auto-consolo.
estamos resolvendo o que vamos fazer com a velha. os armários, digo. não sei se vamos doar ao emaús junto com o quase finado george foremann grill. quem sabe.
------ coisas dando muito certo na alecrim. sem perfeição a alcançar porque sabemos do nosso limite de negócio e uma empresa de publicidade (E ASSESSORIA, NOS CONTRATE!) não é uma empresa como outra qualquer. há pontos em comum com vários outros negócios de serviços, mas com muitíssimas peculiaridades. às vezes sinto falta de um outro amigo publicitário-pequeno-empresário para trocar idéias, desabafar, comemorar, conversar.
-------- nossas férias vão ser a cinco graus negativos. fui à rota habitual c&a, riachuelo e renner (se tiver que rankear, coloco a renner em primeiro, mas acho o serviço do provador SOFRÍVEL). muitas coisas bonitinhas à venda. o inverno nas lojas de departamento oscila entre a figura da mulher elegante e da retardada de capa de chuva dos anos 60. tudo bem legal e apelativo. tinha uma promoção de bolsas na renner e carol e renata conseguiram comprar a bolsa mais legais dos últimos tempos por menos de 30 reais. e enorme.
----------- o que será a rede azul pra quem eu costumo amar? onde os queridos se desligam da tomada?
acho que a "rede azul" do joão é o playstation.
--------------- continuo intrigada com a falta de respostas sobre quem matou isabella nardoni. bi-zar-ro.
- diquinha: tem uma aveia da nestlé nova (nova só no ceará, porque no sul deve ser velha) que se chama aveia plus e tem escrito no rótulo: experimente pura. eu, que não sou muito afeita a misturar cereal com nada molhado (porque fica logo mole) adorei a idéia e comprei.
depois digo se gostei.
vou já comer na rede azul.
9 de Abril de 2008
kath eats real food
ai. desde anteontem que minha boca só saliva lendo o KATH EATS REAL FOOD.
endereço é esse: www.katheats.com.
até eu que odeio aveia, considerei fazer isso hoje de manhã no café.
depois que decidi comer direito (não pouquinho, mas direito) são as escolhas que importam. hoje fiz uma casserole de atum bem fácil e gostosa, tudo refogado na água e com um montão de tempero fresco e gostoso.
lá vai a receita, pra quem gosta de atum. pra quem já cozinha, é muito besta.
pra quem não gosta de atum nem de pimentão, melhor nem ler.
(beto, não lê!)
a refeição é pra duas pessoas. no meu caso, como só uma pessoa come comida aqui em casa, divido em dois depósitos e me serve para dois dias.
1 dentinho de alho
1 colher de sopa de azeite extra virgem (fica melhor com mais, mas eu procuro regrar)
sal, pimenta do reino em pó
uma pitadinha de páprica
1 lata de atum na água (sugiro GOMES DA COSTA)
1 tomate (sugiro um grande)
1/4 de pimentão verde (se gostar, um pouco mais)
1/4 de pimentão vermelho
1 pimentão amarelo grande, bem enorme.
minha diquinha: se você não mantém em casa cebola, alho etc, porque ESTRAGA, use MEU SEGREDO, que é um refogadinho artificial que vende no supermercado. não é nem de longe bom como um refogado fresco, mas é isso. e serve. dispensa você de ter que comprar cebola, cebolinha, salsa e coentro, que só vende em tamanhos família de seis. é um saco. literalmente.
modo de fazer: fure um buraquinho do tamanho de uma colher de sopa em um dos lados (não nas extremidades) e guarde a tampinha do pimentão.
coloque o pimentão furado e a tampa numa cuscuzeira ou panela de vapor. isso demora uns 30 minutos, até que ele fique macio. passe a faca entre o pimentão pra saber se está deslizando. é o ponto. tire e coloque pra esfriar.
enquanto a meia hora vai rolando, vá fazendo o recheio.
sempre refogo numa panela com uma colher de azeite os vegetais (ou o meu segredo da maggi) um pouco de páprica (doce ou picante), o dente de alho. coloco a páprica logo porque é um tempero muito forte e ajuda a difundir o sabor pela receita toda.
logo coloco o tomate cortado grosseiramente, o pimentões verde e vermelho em tirinhas e o atum. jogue fora a água da lata. tenho preconceito com enlatados.
os vegetais todos soltam um pouquinho de água e isso deve segurar a mistura sem queimar por alguns minutos. quando a panela estiver seca e querendo pregar, coloque água aos poucos. chego a adicionar mais de 200ml de água e pode ficar parecendo uma sopa. mas tenha paciência que seca. coloco 2 colheres de sopa de milho verde em conserva, sal e pimenta do reino (ponho muito porque REFOGAR coisas na ÁGUA pode deixar a comida um pouco plana demais e sem gosto). tampo a panela e espero um pouco. quando secar e o cheiro subir (hum), está bom. deixe esfriar um pouco.
o pimentão amarelo já deve estar frio o suficiente pra poder manusear. vou colocando colher por colher a mistura dentro, até caber tudo (sempre cabe, porque só compro uns pimentões amarelos enormes no pão de açúcar. misturo um pouco de queijo mussarela ou ralado ou cream cheese ou requeijão (o que tiver) e tampo o pimentão. salpico uma pimentinha do reino de novo e ponho no forno.
depois de 20 minutos, tá pronto.
bom comer:
puro, com torrada.
passando num pãozinho integral ou árabe.
pra beber: você que sabe. eu estou sem coca-cola há dias. e nem morri.
* este blog não virou um blog de culinária, mas enquanto tiver receitinhas saudáveis e leves, vou postar. me dêem licencinha.
e vão ler o blog que eu disse lá em cima. dá gosto.
chega logo
quando eu quero que o tempo passe devagar, parece que voa.
sei que não sou só eu. e o contrário também.
férias
estamos planejando as férias com cuidado e finalmente vai dar certo. depois conto a novidade. só conto quando tiver tudo pago, reservado, decidido. mas conto.
beijo em vocês. se cuidem.
ai. desde anteontem que minha boca só saliva lendo o KATH EATS REAL FOOD.
endereço é esse: www.katheats.com.
até eu que odeio aveia, considerei fazer isso hoje de manhã no café.
depois que decidi comer direito (não pouquinho, mas direito) são as escolhas que importam. hoje fiz uma casserole de atum bem fácil e gostosa, tudo refogado na água e com um montão de tempero fresco e gostoso.
lá vai a receita, pra quem gosta de atum. pra quem já cozinha, é muito besta.
pra quem não gosta de atum nem de pimentão, melhor nem ler.
(beto, não lê!)
a refeição é pra duas pessoas. no meu caso, como só uma pessoa come comida aqui em casa, divido em dois depósitos e me serve para dois dias.
1 dentinho de alho
1 colher de sopa de azeite extra virgem (fica melhor com mais, mas eu procuro regrar)
sal, pimenta do reino em pó
uma pitadinha de páprica
1 lata de atum na água (sugiro GOMES DA COSTA)
1 tomate (sugiro um grande)
1/4 de pimentão verde (se gostar, um pouco mais)
1/4 de pimentão vermelho
1 pimentão amarelo grande, bem enorme.
minha diquinha: se você não mantém em casa cebola, alho etc, porque ESTRAGA, use MEU SEGREDO, que é um refogadinho artificial que vende no supermercado. não é nem de longe bom como um refogado fresco, mas é isso. e serve. dispensa você de ter que comprar cebola, cebolinha, salsa e coentro, que só vende em tamanhos família de seis. é um saco. literalmente.
modo de fazer: fure um buraquinho do tamanho de uma colher de sopa em um dos lados (não nas extremidades) e guarde a tampinha do pimentão.
coloque o pimentão furado e a tampa numa cuscuzeira ou panela de vapor. isso demora uns 30 minutos, até que ele fique macio. passe a faca entre o pimentão pra saber se está deslizando. é o ponto. tire e coloque pra esfriar.
enquanto a meia hora vai rolando, vá fazendo o recheio.
sempre refogo numa panela com uma colher de azeite os vegetais (ou o meu segredo da maggi) um pouco de páprica (doce ou picante), o dente de alho. coloco a páprica logo porque é um tempero muito forte e ajuda a difundir o sabor pela receita toda.
logo coloco o tomate cortado grosseiramente, o pimentões verde e vermelho em tirinhas e o atum. jogue fora a água da lata. tenho preconceito com enlatados.
os vegetais todos soltam um pouquinho de água e isso deve segurar a mistura sem queimar por alguns minutos. quando a panela estiver seca e querendo pregar, coloque água aos poucos. chego a adicionar mais de 200ml de água e pode ficar parecendo uma sopa. mas tenha paciência que seca. coloco 2 colheres de sopa de milho verde em conserva, sal e pimenta do reino (ponho muito porque REFOGAR coisas na ÁGUA pode deixar a comida um pouco plana demais e sem gosto). tampo a panela e espero um pouco. quando secar e o cheiro subir (hum), está bom. deixe esfriar um pouco.
o pimentão amarelo já deve estar frio o suficiente pra poder manusear. vou colocando colher por colher a mistura dentro, até caber tudo (sempre cabe, porque só compro uns pimentões amarelos enormes no pão de açúcar. misturo um pouco de queijo mussarela ou ralado ou cream cheese ou requeijão (o que tiver) e tampo o pimentão. salpico uma pimentinha do reino de novo e ponho no forno.
depois de 20 minutos, tá pronto.
bom comer:
puro, com torrada.
passando num pãozinho integral ou árabe.
pra beber: você que sabe. eu estou sem coca-cola há dias. e nem morri.
* este blog não virou um blog de culinária, mas enquanto tiver receitinhas saudáveis e leves, vou postar. me dêem licencinha.
e vão ler o blog que eu disse lá em cima. dá gosto.
chega logo
quando eu quero que o tempo passe devagar, parece que voa.
sei que não sou só eu. e o contrário também.
férias
estamos planejando as férias com cuidado e finalmente vai dar certo. depois conto a novidade. só conto quando tiver tudo pago, reservado, decidido. mas conto.
beijo em vocês. se cuidem.
bom demais, mas muito frio
para os que não sabem onde comer e moram aqui na fortaleza, indico o nobi nori, na vila que se transforma a maria tomásia mais ou menos na altura do del paseo. fica pertinho do correio e é uma beleza. foi o aniversário da juju e pude conhecer.
o restaurante é lindo, tem uma lojinho de souvenirs dentro e a luz é ótima. (a renata já tinha me falado mas não tinha realizado ainda como era lindo).
boa notícia para os alérgicos que nem eu: tem algum hot diferente que podemos comer, de skin.
boa 2: tem um niguiri com peixinho frito em cima.
(é, não como sashimi e não sou muito fã de coisa crua).
boa 3: preço justo, atendimento cortês.
boa 4: cardápio muito bem cuidado e lindo com laminação fosca, jogo americano impresso pela cúpula, copos pequenininhos bem fofos e muita ilustração (isso tudo foi da minha personalidade publicitária freak, fique à vontade em não achar que isso é um ponto forte do restaurante).
ruim 1: é muito frio. vá de casaquinho.
ruim 2: não tem muita opção de comida leve pra quem não come coisa crua.
BOM DEMAIS absoluto, mas muito frio
se eu pudesse, fosse magra e rica, almoçaria TODO SANTO DIA no cabaña del primo. fora o preço (apesar de justo, é salgado para tornar isso um costume diário), não posso listar nada ruim. até o frio (lá também é frio) pode ser aplacado se você pedir ao garçom um xalezinho. limpo, cheirosinho e quentinho, o xale vem a calhar.
eu, que sou fã de couverts e analiso todos, como todos, um a um, posso dizer sem medo de errar. o de lá só perde para o do santa grelha, que tem pães de queijo e torradas de baguete cortadas no comprido com manteiga de ervas.
melhor prato ever: peixe na crosta de batatas. (aaaaaaaaai eu ainda morro por aquele molho)
melhor prato de frango ever: frango relleno.
sei que lá é especializado em cortes argentinos e é um paraíso das carnes vermelhas. mas sempre pulo. principalmente para celebrar o fato de que são especializados em BOI e fazem bem FRANGO E PEIXE. ótemo.
cabaña fica no shopping jardins open mall, também na maria tomásia. ou seja, maria tomásia é o lugar.
para os que não sabem onde comer e moram aqui na fortaleza, indico o nobi nori, na vila que se transforma a maria tomásia mais ou menos na altura do del paseo. fica pertinho do correio e é uma beleza. foi o aniversário da juju e pude conhecer.
o restaurante é lindo, tem uma lojinho de souvenirs dentro e a luz é ótima. (a renata já tinha me falado mas não tinha realizado ainda como era lindo).
boa notícia para os alérgicos que nem eu: tem algum hot diferente que podemos comer, de skin.
boa 2: tem um niguiri com peixinho frito em cima.
(é, não como sashimi e não sou muito fã de coisa crua).
boa 3: preço justo, atendimento cortês.
boa 4: cardápio muito bem cuidado e lindo com laminação fosca, jogo americano impresso pela cúpula, copos pequenininhos bem fofos e muita ilustração (isso tudo foi da minha personalidade publicitária freak, fique à vontade em não achar que isso é um ponto forte do restaurante).
ruim 1: é muito frio. vá de casaquinho.
ruim 2: não tem muita opção de comida leve pra quem não come coisa crua.
BOM DEMAIS absoluto, mas muito frio
se eu pudesse, fosse magra e rica, almoçaria TODO SANTO DIA no cabaña del primo. fora o preço (apesar de justo, é salgado para tornar isso um costume diário), não posso listar nada ruim. até o frio (lá também é frio) pode ser aplacado se você pedir ao garçom um xalezinho. limpo, cheirosinho e quentinho, o xale vem a calhar.
eu, que sou fã de couverts e analiso todos, como todos, um a um, posso dizer sem medo de errar. o de lá só perde para o do santa grelha, que tem pães de queijo e torradas de baguete cortadas no comprido com manteiga de ervas.
melhor prato ever: peixe na crosta de batatas. (aaaaaaaaai eu ainda morro por aquele molho)
melhor prato de frango ever: frango relleno.
sei que lá é especializado em cortes argentinos e é um paraíso das carnes vermelhas. mas sempre pulo. principalmente para celebrar o fato de que são especializados em BOI e fazem bem FRANGO E PEIXE. ótemo.
cabaña fica no shopping jardins open mall, também na maria tomásia. ou seja, maria tomásia é o lugar.
5 de Abril de 2008
1. candice citando caio me fez lembrar que vou ficando cada vez mais estrangeira procurando um porto.
às vezes é bom, às vezes é ruim.
tem assunto, conversa, coisas. às vezes é besta.
e o que não é a vida se não for uma coisa que às vezes é bom e às vezes é besta?
tell me about it.
2. tenho lutado constantemente com a feiura do meu cabelo.
3. finalmente, estou de volta à alguma forma que não seja a de bola.
não esqueçam: casar engorda. se você esperar 2 meses de casado pra voltar à forma do vestido de noiva feito eu, vai ter que jantar massa integral com soja todo dia. então, cuide-se, caso você não queira engordar. se quiser, beleza. acho bonito.
4. o verdelima, restaurante natural onde a gente almoçava no tempo do governo (o que não tinha a ronda do quarteirão mas que prestava mesmo assim), abriu uma UNIDADE na aldeota. bem pertinho d'alecrim. estamos almoçando lá sempre que dá e renata e eu nos lambuzamos com coisas cheirosas, gostosas, maravilhosas, sem um pingo de leite ou ovo ou carne. não que eu não goste de ovo, de leite, de carne (sei que são os novos vilões da moda alimentícia), mas de vez em quando é bom ficar sem eles.
5. meus vícios televisivos têm se intensificado. recomendo a sony, especificamente: the ugly betty, desperate housewives (nova temporada rocks), samantha who (adoro aquela besteira), friday night lights (joão acha dramático e eu assisto).
6. estou ainda estarrecida com a menina que caiu do sexto andar, foi jogada, ou sei lá. estarrecida. li o terra, uol, últimosegundo, g1 e tudo o que achei de notícia, obsessiva que sou. o que me horrorizou além: alguns jornais usam o verbo ARREMESSAR para descrever o que foi feito com a menina. acho péssimo. grosseiro. ninguém arremesa uma pessoa. isso coisifica a menina mais do que já tem sido.
e, não, eu não sei se foi o pai e a madastra. e eu me recuso a dizer o que acho e quem eu penso que matou. seria de certa forma leviano.
o orkut da mãe da menina foi invadido por recados vindo de todos os lugares possíveis. e ainda que sejam recados de solidariedade ou algo assim, acho invasão e não acho que seja o momento.
7. muita coisa boa acontecendo no trabalho.
8. muita saudade de muita coisa.
9. lucas está quase andando.
10. descobri que a beatriz, filha da nanunine, é superdotada. com 10 meses, ela faz gestos e expressões que só uma pessoa de pelo menos 5 anos faria. é impressionante. e fofo. puxou à mãe. (carol, tudo fica mais divertido pra gente quando você está pertinho).
às vezes é bom, às vezes é ruim.
tem assunto, conversa, coisas. às vezes é besta.
e o que não é a vida se não for uma coisa que às vezes é bom e às vezes é besta?
tell me about it.
2. tenho lutado constantemente com a feiura do meu cabelo.
3. finalmente, estou de volta à alguma forma que não seja a de bola.
não esqueçam: casar engorda. se você esperar 2 meses de casado pra voltar à forma do vestido de noiva feito eu, vai ter que jantar massa integral com soja todo dia. então, cuide-se, caso você não queira engordar. se quiser, beleza. acho bonito.
4. o verdelima, restaurante natural onde a gente almoçava no tempo do governo (o que não tinha a ronda do quarteirão mas que prestava mesmo assim), abriu uma UNIDADE na aldeota. bem pertinho d'alecrim. estamos almoçando lá sempre que dá e renata e eu nos lambuzamos com coisas cheirosas, gostosas, maravilhosas, sem um pingo de leite ou ovo ou carne. não que eu não goste de ovo, de leite, de carne (sei que são os novos vilões da moda alimentícia), mas de vez em quando é bom ficar sem eles.
5. meus vícios televisivos têm se intensificado. recomendo a sony, especificamente: the ugly betty, desperate housewives (nova temporada rocks), samantha who (adoro aquela besteira), friday night lights (joão acha dramático e eu assisto).
6. estou ainda estarrecida com a menina que caiu do sexto andar, foi jogada, ou sei lá. estarrecida. li o terra, uol, últimosegundo, g1 e tudo o que achei de notícia, obsessiva que sou. o que me horrorizou além: alguns jornais usam o verbo ARREMESSAR para descrever o que foi feito com a menina. acho péssimo. grosseiro. ninguém arremesa uma pessoa. isso coisifica a menina mais do que já tem sido.
e, não, eu não sei se foi o pai e a madastra. e eu me recuso a dizer o que acho e quem eu penso que matou. seria de certa forma leviano.
o orkut da mãe da menina foi invadido por recados vindo de todos os lugares possíveis. e ainda que sejam recados de solidariedade ou algo assim, acho invasão e não acho que seja o momento.
7. muita coisa boa acontecendo no trabalho.
8. muita saudade de muita coisa.
9. lucas está quase andando.
10. descobri que a beatriz, filha da nanunine, é superdotada. com 10 meses, ela faz gestos e expressões que só uma pessoa de pelo menos 5 anos faria. é impressionante. e fofo. puxou à mãe. (carol, tudo fica mais divertido pra gente quando você está pertinho).
16 de Março de 2008
tudo (é) muda. (é) tempo de tudo.
- sobre limpeza
nunca pensei que uma garotinha tão desorganizada na organização ficasse meio maníaca por limpeza. mas é um fato. tenho um desinfetante minuano no banheiro, com uma escova scotch-brite bem empezinha. ao lado, um tubo de lysol anti-bactericida, o número um nos eua, diz a embalagem. e de vez em quando me pego esfregando metade o cabelo metade o chão. joão me ajuda como pode. tem lá suas tarefas.
pensei já em ser dona de casa, tipo full time mom, mas aí eu penso de novo e vejo que isso não tem, nem de longe, o menor sentido.
- sobre ser mãe
pensei várias vezes sobre o assunto esses dias. david inventou uma campanha para ter um sobrinho, porque, diferente de mim, ele não tem nenhum. apesar de ver pouco o lucas, acho que ele supre a necessidade de bebê lá em casa (da mamãe). pedro, matheus e mariana moram fora, como sabem, mas julho, dezembro, janeiro, apesar de não serem suficientemente longos, matam um pouco a nossa saudade e vontade de estar perto.
e um meu, assim só meu, pra gritar mamãe na hora do aperreio?
não sei.
pensei em várias coisas, e parece que a televisão esses dias estava a meu favor. vi alguns reality shows, tipo super nanny que me desencorajam cada vez mais a ter um menino. ou menina. um pavor.
outro dia, uma mulher na marília gabriela, de nome cláudia e de sobrenome esqueci, escreveu um livro baseado em uma pesquisa. o livro se chama as dores e as delícias da mãe que trabalha, ou algo assim.
se acontecer de ser mãe, como ser uma mãe que trabalha? quantas mães que trabalham sem culpa eu conheço? poucas. aí no meio da entrevista, com a mulher de profissão parecida com a minha dizendo que deu conta totalmente da vida dos filhos e nada de ruim lhes aconteceu mesmo trabalhando horrores ao dia, pensei que não era o fim do mundo. se todo mundo podia ser mãe, eu também. dois mil e onze, doze, treze? não sei. não sabia. quando a entrevista acabou, só havia uma certeza dentro de mim todinha: não é um crime dizer não à maternidade, estamos em 2008 e faça-me o favor. eu no papel de moça tenho outros papéis na sociedade.
algumas das minhas amigas que pensam mais ou menos como eu sobre outras coisas querem ter um filho. aí lascou.
pessoas me dizem que eu vou saber na hora. isso eu sei. pessoas dizem que eu não me angustie. eu não estou angustiada, é só modo de escrever. foi só um pensamento, discussão comigo mesma, durante 15, 20 dias, e acabo, hoje, sem resposta pra mim.
mamá trabalhou minha infância e metade da adolescência e nunca cheguei a perguntar se sentia culpa. tinha expediente duplo mas nunca lembro de ter me sentido só ou ter ficado chateada por deixá-la ir trabalhar. talvez quando muito pequenininha.
lembro que quando um chegava tarde, o outro chegava cedo. quando nos mudamos pro meireles, papai me ligava e mandava me arrumar e me lembro de dezenas de vezes em que fomos à beira-mar, andar de ceci, ou andar a pé, ou ficar sentados. eu via as coisas enquanto ele bebia um chopp. lembro que almoçávamos juntos todos os dias, e que todas as coisas que pais deveriam fazer eles faziam, melhor do que podiam, eu acho. nunca pode sair da minha cabeça a mamãe pendurando a roupa, indo almoçar e se deitando 15 minutos, e nesse intervalo de menos de duas horas, podia dar conta do que estava acontecendo em casa, do que deveria ter acontecido, das coisas de colégio, da vida inteira da gente. na hora de levantar, pegava a mesma roupa que tinha chegado, pra não perder um segundo que fosse, e ia.
sete e cinco da manhã estávamos os três lá embaixo. eu, bee e papai, prontos para o colégio, usufruindo o bom humor dele, muio disposto, mangando com vontade de todo mundo que passava na rua, pra fazer a gente acordar.
quando passava alguém com sono, ele dava um gritozinho: jogue um salzim nas costas dele. enfim. era bom. e o trajeto de casa até o colégio se dava num encontro absolutamente íntimo, embora sonolento.
talvez minha solidão de uma criança filha de pais que trabalham tenha sido aplacada pela companhia do jonas e da milena. porque eu tinha de sobra alguém pra brincar ou brigar. mas não sei. ainda que não tivesse tido irmãos mais velhos, com jeitinhos de pais, teria sido bom, teria valido a pena.
quando penso neles, então, acho que posso ser mãe.
quando penso no menino gritando no meio do supermercado planeta, ou no menino se deitando no chão do iguatemi gritando com a mãe, eu desisto.
se tudo for mesmo sobre relógios biológicos, o meu está completamente descompensado, ou sem bateria.
quem sabe um dia chega.
- sobre a casa
estou aqui na varanda na mesa de plástico. esperando david. beto e rapha estão aqui no sofá com joão jogando playstation ensandecidos e brigando um pouco.
meus rapazes. alguns deles. tão bonitas minhas visitas, meus amores, agora rindo, debochando porque o outro perdeu. beto diz que é do tempo do atari que só tinha um botão. ontem o vitinho também estava aqui e disse: maaacho, start e select? tu é de que década?
acontece que o último video-game dele tinha sido um master system. tipo eu, que só jogo mesmo os jogos do uol on line.
- sobre o vício
álvaro me apresentou um joguinho chamada ryse of the atlantis e passei o sábado inteiro tentando zerar. consegui de tarde. cada um tem seu jogo, agora. pra não ficar injusto.
- sobre as comidas
tenho comido muito, mas tenho muita saudade de almoçar em casa, comer comidinha, jantar sopinha, lanchar frutinha. comidas feitas com tempero fresquinho e carne branca. mas que nada. almoçar na rua, chegar em casa e comer um sanduíche, cair na tentação de pedir uma pizza ou algma guloseima na plaza. assim vou acabar meu sacrifício de maio a dezembro de 2007 pra ficar com a cintura fina. enfim, amanhã estou de volta nos trilhos. assim espero.
boa noite.
- sobre limpeza
nunca pensei que uma garotinha tão desorganizada na organização ficasse meio maníaca por limpeza. mas é um fato. tenho um desinfetante minuano no banheiro, com uma escova scotch-brite bem empezinha. ao lado, um tubo de lysol anti-bactericida, o número um nos eua, diz a embalagem. e de vez em quando me pego esfregando metade o cabelo metade o chão. joão me ajuda como pode. tem lá suas tarefas.
pensei já em ser dona de casa, tipo full time mom, mas aí eu penso de novo e vejo que isso não tem, nem de longe, o menor sentido.
- sobre ser mãe
pensei várias vezes sobre o assunto esses dias. david inventou uma campanha para ter um sobrinho, porque, diferente de mim, ele não tem nenhum. apesar de ver pouco o lucas, acho que ele supre a necessidade de bebê lá em casa (da mamãe). pedro, matheus e mariana moram fora, como sabem, mas julho, dezembro, janeiro, apesar de não serem suficientemente longos, matam um pouco a nossa saudade e vontade de estar perto.
e um meu, assim só meu, pra gritar mamãe na hora do aperreio?
não sei.
pensei em várias coisas, e parece que a televisão esses dias estava a meu favor. vi alguns reality shows, tipo super nanny que me desencorajam cada vez mais a ter um menino. ou menina. um pavor.
outro dia, uma mulher na marília gabriela, de nome cláudia e de sobrenome esqueci, escreveu um livro baseado em uma pesquisa. o livro se chama as dores e as delícias da mãe que trabalha, ou algo assim.
se acontecer de ser mãe, como ser uma mãe que trabalha? quantas mães que trabalham sem culpa eu conheço? poucas. aí no meio da entrevista, com a mulher de profissão parecida com a minha dizendo que deu conta totalmente da vida dos filhos e nada de ruim lhes aconteceu mesmo trabalhando horrores ao dia, pensei que não era o fim do mundo. se todo mundo podia ser mãe, eu também. dois mil e onze, doze, treze? não sei. não sabia. quando a entrevista acabou, só havia uma certeza dentro de mim todinha: não é um crime dizer não à maternidade, estamos em 2008 e faça-me o favor. eu no papel de moça tenho outros papéis na sociedade.
algumas das minhas amigas que pensam mais ou menos como eu sobre outras coisas querem ter um filho. aí lascou.
pessoas me dizem que eu vou saber na hora. isso eu sei. pessoas dizem que eu não me angustie. eu não estou angustiada, é só modo de escrever. foi só um pensamento, discussão comigo mesma, durante 15, 20 dias, e acabo, hoje, sem resposta pra mim.
mamá trabalhou minha infância e metade da adolescência e nunca cheguei a perguntar se sentia culpa. tinha expediente duplo mas nunca lembro de ter me sentido só ou ter ficado chateada por deixá-la ir trabalhar. talvez quando muito pequenininha.
lembro que quando um chegava tarde, o outro chegava cedo. quando nos mudamos pro meireles, papai me ligava e mandava me arrumar e me lembro de dezenas de vezes em que fomos à beira-mar, andar de ceci, ou andar a pé, ou ficar sentados. eu via as coisas enquanto ele bebia um chopp. lembro que almoçávamos juntos todos os dias, e que todas as coisas que pais deveriam fazer eles faziam, melhor do que podiam, eu acho. nunca pode sair da minha cabeça a mamãe pendurando a roupa, indo almoçar e se deitando 15 minutos, e nesse intervalo de menos de duas horas, podia dar conta do que estava acontecendo em casa, do que deveria ter acontecido, das coisas de colégio, da vida inteira da gente. na hora de levantar, pegava a mesma roupa que tinha chegado, pra não perder um segundo que fosse, e ia.
sete e cinco da manhã estávamos os três lá embaixo. eu, bee e papai, prontos para o colégio, usufruindo o bom humor dele, muio disposto, mangando com vontade de todo mundo que passava na rua, pra fazer a gente acordar.
quando passava alguém com sono, ele dava um gritozinho: jogue um salzim nas costas dele. enfim. era bom. e o trajeto de casa até o colégio se dava num encontro absolutamente íntimo, embora sonolento.
talvez minha solidão de uma criança filha de pais que trabalham tenha sido aplacada pela companhia do jonas e da milena. porque eu tinha de sobra alguém pra brincar ou brigar. mas não sei. ainda que não tivesse tido irmãos mais velhos, com jeitinhos de pais, teria sido bom, teria valido a pena.
quando penso neles, então, acho que posso ser mãe.
quando penso no menino gritando no meio do supermercado planeta, ou no menino se deitando no chão do iguatemi gritando com a mãe, eu desisto.
se tudo for mesmo sobre relógios biológicos, o meu está completamente descompensado, ou sem bateria.
quem sabe um dia chega.
- sobre a casa
estou aqui na varanda na mesa de plástico. esperando david. beto e rapha estão aqui no sofá com joão jogando playstation ensandecidos e brigando um pouco.
meus rapazes. alguns deles. tão bonitas minhas visitas, meus amores, agora rindo, debochando porque o outro perdeu. beto diz que é do tempo do atari que só tinha um botão. ontem o vitinho também estava aqui e disse: maaacho, start e select? tu é de que década?
acontece que o último video-game dele tinha sido um master system. tipo eu, que só jogo mesmo os jogos do uol on line.
- sobre o vício
álvaro me apresentou um joguinho chamada ryse of the atlantis e passei o sábado inteiro tentando zerar. consegui de tarde. cada um tem seu jogo, agora. pra não ficar injusto.
- sobre as comidas
tenho comido muito, mas tenho muita saudade de almoçar em casa, comer comidinha, jantar sopinha, lanchar frutinha. comidas feitas com tempero fresquinho e carne branca. mas que nada. almoçar na rua, chegar em casa e comer um sanduíche, cair na tentação de pedir uma pizza ou algma guloseima na plaza. assim vou acabar meu sacrifício de maio a dezembro de 2007 pra ficar com a cintura fina. enfim, amanhã estou de volta nos trilhos. assim espero.
boa noite.
9 de Março de 2008
REVIVAL de domingo - porque esse texto combina com domingo
para lívia e anônimo, que acham bonito e nunca esqueceram.
quando eu escrevi, eu tinha 20 e a lívia fazia cursinho.
anônimo, onde estava você?
21.4.03
"Quando ele mandava e-mails ela não sabia direito se aquilo era um bilhete, uma carta, um pedido, uma recusa, uma poesia, um sorriso, uma ironia, uma brincadeira de mau gosto, um recuo, um fragmento de alguma coisa que ele queria dizer e sabia muito bem o que era, ou não tinha a menor idéia do que, ou de como.
Quando ele mandava e-mails podia ter um do Papa na caixa postal que ela lia primeiro o dele. Até porque o do Papa seria SPAM.
Mas o melhor é que quando ele mandava e-mails as unhas dela ficavam quentes por dentro e os dedos ficavam teimosos e ela digitava errado quando tentava responder e não saía nada da garganta do seu teclado e a coisa mais difícil era teclar enter.
Quando ele não mandava e-mails ela lia os passados.
No outro dia, ele mandava e-mails, e no dia em que ela entendeu o que ele queria com isso, descobriu que não eram e-mails que ele mandava.
Era muito mais.
E então ela aprendeu a responder as coisas que a lei do virtual chama de e-mails, porque ela entende que é preciso categorizar as coisas como reais e virtuais, mas sabe que se misturam ao longo do tempo, porque o tempo do virtual é muito mais espaçoso do que se pensa. E então ela aprendeu a digitar rápido porque cada toque era um tum no batimento e ela gostava de clichês e gostava de misturar coisas.
Ele tem um trabalho, coisas a fazer, um carro, mulheres que o amam, contas a pagar, uma máquina fotográfica embutida no olho, uma íris que fala, um negócio gostoso dentro da boca, um texto que torna o céu intermediário e o clima agradável de temperatura ambiente, como 22 graus, e não o ambiente do inferno como se tornou a cidade nos últimos tempos. Ele bole na cabeça dela com as palavras, ele cria sensações que ela não consegue nomear e nunca ninguém vai saber o que é porque só se pode contar o que se nomeou. E ela chora, coitada, desesperada para contar para a melhor amiga que sensação é aquela que causa um gosto agridoce na porta da língua, que arde um pouco no céu da boca, que não pesa sobre os ombros, que não tem pressa, que não castiga, que alisa os pelos arrepiados para que voltem ao lugar. É mais que conforto, menina, bem mais que alívio.
Quantos sentimentos ele deve ter desta categoria, mas conta ao cálice de vinho em cima da mesinha de cabeceira, enquanto lê um livro que mais parece um tijolo. Ela não tem contas a pagar, não tem emprego nem cartão de crédito, não tem um diretor de cinema preferido, não vai atrás nunca de saber de onde é e quando foi aquela sua banda favorita. Ela não tem perspectiva de situação estável, é emocionalmente desregrada, tem brincos diferentes e é ligeiramente bonita. Tem câmeras fotográficas embutidas por todo o corpo e tem mais velocidade que ele.
E porque ele tinha calma demais, quando ele mandava e-mails ela chorava com pena do tempo, que devia estar agoniado para que toda essa embromação sem sentido acabasse logo. As mãos dele nos cabelos dela e era tão simples, meu Deus. Depois ele puxaria o pescoço dela e pronto, eram só bocas a se unir e pra que servia esta cerimônia toda com um órgão tão simples? Depois era a língua que também não tinha mistério porque língua é coisa que se usa desde o primeiro dia de choro, na maternidade, depois do tapa do doutor, que é emocionante só para a mãe do bebê, mas é muito mais doloroso e desprotegido. E o tempo agoniado.
Que povo besta, meu Deus.
Tem cerimônia com o próprio corpo.
BarbraBrusk 8:44 PM."
Bom dia. Aproveito o momentinho para dedicar ao João, que, depois de 6 anos do começo do envio dos e-mais, me levou ao altar. E hoje faz 28 anos.
Mudou muito desde os 22. Mas tudo o que há descrito nessas linhas continua sendo. E esse João desse texto, especialmente esse aí, não mudou nadinha.
Já a Mariana. (reticente)
para lívia e anônimo, que acham bonito e nunca esqueceram.
quando eu escrevi, eu tinha 20 e a lívia fazia cursinho.
anônimo, onde estava você?
21.4.03
"Quando ele mandava e-mails ela não sabia direito se aquilo era um bilhete, uma carta, um pedido, uma recusa, uma poesia, um sorriso, uma ironia, uma brincadeira de mau gosto, um recuo, um fragmento de alguma coisa que ele queria dizer e sabia muito bem o que era, ou não tinha a menor idéia do que, ou de como.
Quando ele mandava e-mails podia ter um do Papa na caixa postal que ela lia primeiro o dele. Até porque o do Papa seria SPAM.
Mas o melhor é que quando ele mandava e-mails as unhas dela ficavam quentes por dentro e os dedos ficavam teimosos e ela digitava errado quando tentava responder e não saía nada da garganta do seu teclado e a coisa mais difícil era teclar enter.
Quando ele não mandava e-mails ela lia os passados.
No outro dia, ele mandava e-mails, e no dia em que ela entendeu o que ele queria com isso, descobriu que não eram e-mails que ele mandava.
Era muito mais.
E então ela aprendeu a responder as coisas que a lei do virtual chama de e-mails, porque ela entende que é preciso categorizar as coisas como reais e virtuais, mas sabe que se misturam ao longo do tempo, porque o tempo do virtual é muito mais espaçoso do que se pensa. E então ela aprendeu a digitar rápido porque cada toque era um tum no batimento e ela gostava de clichês e gostava de misturar coisas.
Ele tem um trabalho, coisas a fazer, um carro, mulheres que o amam, contas a pagar, uma máquina fotográfica embutida no olho, uma íris que fala, um negócio gostoso dentro da boca, um texto que torna o céu intermediário e o clima agradável de temperatura ambiente, como 22 graus, e não o ambiente do inferno como se tornou a cidade nos últimos tempos. Ele bole na cabeça dela com as palavras, ele cria sensações que ela não consegue nomear e nunca ninguém vai saber o que é porque só se pode contar o que se nomeou. E ela chora, coitada, desesperada para contar para a melhor amiga que sensação é aquela que causa um gosto agridoce na porta da língua, que arde um pouco no céu da boca, que não pesa sobre os ombros, que não tem pressa, que não castiga, que alisa os pelos arrepiados para que voltem ao lugar. É mais que conforto, menina, bem mais que alívio.
Quantos sentimentos ele deve ter desta categoria, mas conta ao cálice de vinho em cima da mesinha de cabeceira, enquanto lê um livro que mais parece um tijolo. Ela não tem contas a pagar, não tem emprego nem cartão de crédito, não tem um diretor de cinema preferido, não vai atrás nunca de saber de onde é e quando foi aquela sua banda favorita. Ela não tem perspectiva de situação estável, é emocionalmente desregrada, tem brincos diferentes e é ligeiramente bonita. Tem câmeras fotográficas embutidas por todo o corpo e tem mais velocidade que ele.
E porque ele tinha calma demais, quando ele mandava e-mails ela chorava com pena do tempo, que devia estar agoniado para que toda essa embromação sem sentido acabasse logo. As mãos dele nos cabelos dela e era tão simples, meu Deus. Depois ele puxaria o pescoço dela e pronto, eram só bocas a se unir e pra que servia esta cerimônia toda com um órgão tão simples? Depois era a língua que também não tinha mistério porque língua é coisa que se usa desde o primeiro dia de choro, na maternidade, depois do tapa do doutor, que é emocionante só para a mãe do bebê, mas é muito mais doloroso e desprotegido. E o tempo agoniado.
Que povo besta, meu Deus.
Tem cerimônia com o próprio corpo.
BarbraBrusk 8:44 PM."
Bom dia. Aproveito o momentinho para dedicar ao João, que, depois de 6 anos do começo do envio dos e-mais, me levou ao altar. E hoje faz 28 anos.
Mudou muito desde os 22. Mas tudo o que há descrito nessas linhas continua sendo. E esse João desse texto, especialmente esse aí, não mudou nadinha.
Já a Mariana. (reticente)
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